Notícia foi antecipada para reduzir o uso político pela oposição

Se não antecipasse ontem a previsão de aumento na passagem de ônibus de R$ 2,70 para R$ 2,90 neste ano, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) assistiria a um verdadeiro bombardeio da mídia, capitaneado por vereadores da oposição, às vésperas da eleição presidencial. Dia 30 de setembro é a data-limite para todos os prefeitos do País enviarem a estimativa de arrecadação e de investimentos para o ano seguinte ao Legislativo. Caso não respeitasse o prazo, Kassab poderia responder por improbidade administrativa.

Bastidores: Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2010 | 00h00

A proposta deve, por determinação legal, trazer a previsão de reajuste na tarifa de ônibus e chegaria à Câmara por volta das 19h30, pouco antes de o protocolo do setor administrativo fechar, como é praxe todos os anos. O texto iria para integrantes da Comissão de Finanças, incluindo o presidente do PT municipal, Antonio Donato (PT), e o relator do orçamento, vereador Milton Leite (DEM), que, apesar de ser do partido do prefeito, não tem feito campanha para Serra e Geraldo Alckmin (PSDB) e mantém contato com os principais líderes petistas.

Se isso ocorresse, na sexta-feira toda a mídia paulistana poderia explorar o tema do aumento da passagem. Nas mãos de adversários do ex-prefeito José Serra (PSDB), a notícia estampada na primeira página de jornais e em sites se tornaria um panfleto para ser espalhado perto de pontos de votação. Ao antecipar a divulgação em dois dias, Kassab apostou na pulverização do aumento, em meio ao noticiário das eleições. Ao divulgar e defender a medida, ainda evitou que informações impopulares fossem infladas pelos adversários.

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