Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Notícia de fechamento da Mercearia São Pedro, na Vila Madalena, mobiliza redes sociais; sócio nega

Ponto de encontro de escritores e jornalistas pode dar lugar a prédio residencial; um dos irmãos donos do estabelecimento confirmou venda do terreno a jornal, enquanto o outro desmentiu nas redes sociais

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2021 | 20h32

A notícia de um suposto fechamento do bar Mercearia São Pedro, tradicional reduto da boemia de São Paulo, movimentou as redes sociais nesta quarta-feira, 18. Um dos sócios, Marcos Benuthe, confirmou ao jornal Folha de S. Paulo a venda do imóvel para uma construtora. Já o irmão dele, Pedro Anis, negou a informação em um áudio compartilhado em grupo de whatsapp e disse que a história "é fake, eles compraram realmente a Rua Harmonia com a Rodésia, a outra esquina". O Estadão não conseguiu contato com Benuthe. 

Segundo Benuthe disse à Folha, o imóvel foi comprado por uma construtora e dará lugar a um prédio residencial de luxo. A Even - incorporadora apontada pelo jornal como a responsável pela negociação - informou ao Estadão não ter acordo de compra do terreno onde está localizado o Bar Mercearia São Pedro.

Na sua conta pessoal do Instagram, Marcos publicou nesta quarta um texto saudosista sobre a criação do bar. "Quando a nossa família mudou pra Vila Madalena, eu tinha 11 anos e meio. Meu pai não queria bar de jeito nenhum. Dos quatro filhos, eu era o que tinha vocação e amor pelo nosso comércio, já trabalhava com o pai no nosso ‘empório ganha pouco’, no Itaim Paulista (zona leste). Meu tio Jorge ajudou o pai a montar um depósito de material de construção, não me conformei e montei o bar paralelamente ao ‘depósito’. O bar vingou.

E o bar vingou mesmo. Aberto em 1968, por Pedro Benuthe, pai de Marcos, o bar vinha resistindo à pandemia do coronavírus, que afetou fortemente o setor. 

Inicialmente uma mercearia de secos e molhados, Marcos Benuthe, aos poucos, transformou a venda do pai em bar. As prateleiras do comércio, que antes acumulavam sorvetes e papel higiênico, ao longo do tempo foram ocupadas por filmes em fitas VHS e, nos anos 2000, foi a vez dos livros. Com a inclusão de cervejas, cachaças e petiscos entre as mercadorias do comércio, a Mercearia virou ponto de encontro de escritores e jornalistas de São Paulo.  

De acordo com a Folha de S. Paulo, apesar de o contrato definitivo de venda ainda não ter sido assinado - por questões burocráticas com o inventário do patriarca -, Marcos Benuthe já encara o destino do Merça como certo. Os garçons do bar, porém, como contaram à reportagem por telefone, até a noite desta quarta ainda não haviam sido comunicados sobre o suposto fechamento.   

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