Nos retratos, a 'indelével lembrança' de um tempo

Nos dias de hoje, tempos em que fotos podem ser feitas e divulgadas em questão de segundos, compreender um retrato do século 19 e do início do 20 é viajar no tempo. É também um exercício de imaginação, onde são revelados os significados particulares do ato de retratar e de ser retratado naquele tempo.

LIZ BATISTA , O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2012 | 03h05

No Brasil, a disseminação da revolucionária técnica da fotografia coincide com o fim do reinado de d. Pedro II, um de seus grandes entusiastas, e com o nascimento da República. No momento em que o novo governo costurava à identidade nacional seu projeto republicano, a fotografia popularizava-se como um produto de consumo. O retrato passou a ser um hábito e uma solenidade entre os cidadãos e famílias dos novos tempos político e social do País.

Os classificados do Estado desse período estão repletos de anúncios de Photografos e Estudos Photographicos buscando conquistar clientes, fosse pela promessa de belos resultados, pelo bolso ou pela tradição. Anúncios de fotografias feitas por meio do processo Lambertypie; Chromo-Photographia; Retratos ao luar, Retratos alabastrados, Retratos de crianças; Photographia Americana, Allemã, Campineira - esta, tradicionalíssima, referia-se ao processo pioneiro empregado por Hércules Florence, em 1833, na cidade paulista de Campinas, e por ele batizado de photographie.

Nesse disputado mercado da imortalização da imagem, um anúncio explicava o valor do serviço e do produto oferecido, o retrato: "indelével lembrança que deixa-se à família ou a amigos, na dura ausência de viagens eternas ou passageiras". Por cerca de 5 mil réis a dúzia, estava à venda a possibilidade de realizar-se o sonho de vencer o indesejável esquecimento trazido pelo tempo.

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