Nos próximos dez dias, arte de todo o mundo invadirá SP

Mostra Sesc de Artes apresentará 62 projetos culturais de música, dança e multimídia; outros Estados também mandaram trabalhos

Bianca Balsi / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2010 | 00h00

Para discutir a relação entre o indivíduo e a arte e mostrar as mais novas tendências da produção artística contemporânea, estreia amanhã a Mostra Sesc de Artes 2010, que vai até o próximo dia 28, nas 15 unidades do Sesc SP.

Ao todo, serão 62 projetos culturais, vindos de outros países, como Japão, China, França, Áustria, Angola e Estados Unidos, e de diversos Estados brasileiros, como Rio, Piauí, Ceará e Santa Catarina.

Toda essa produção tomará a cidade com performances, apresentações musicais e espetáculos que discutem as intersecções entre diferentes tipos de expressão artística. "Os trabalhos da mostra deste ano estudam a expansão do termo "performance"", explica Simone Avancini, responsável pela curadoria, ao lado de Cássio Quitério.

Por opção da curadoria e para reforçar o objetivo da mostra, as apresentações, shows, espetáculos e performances não foram divididos em categorias. "Em cada apresentação, existe um segmento principal, como, por exemplo, a música e o teatro. Mas queremos reforçar esses borrões, essas intersecções com outras linguagens", esclarece Simone.

Performances. Exemplo

claro desses "borrões" é o Projeto Coleções, apresentado pelos artistas da Intrépida Trupe, do Rio, que completa 25 anos em 2010. Em cena, a diretora Valéria Martins usa movimentos de linguagem corporal, artes plásticas e música. O público também participa da performance, dividida em estações. "São quatro instalações performáticas. A gente criou um trajeto no qual o público se desloca com a gente", explica Valéria. "As pessoas vão ficar onde quiserem, até dentro da cena. Será tudo junto e misturado. Para mim, é essa a essência do trabalho. As linguagens não têm mais uma separação do que é circo, do que é teatro."

Três performances da Mostra Sesc também estão na programação da 29ª Bienal de Artes de São Paulo: Guerrilla Girls (coletivo de artistas feministas dos anos 1980, que se apresenta no Sesc Pinheiros no dia 19); Dzzzz Band (do poeta, ator, rapper e performer angolano Nástio Mosquito, no dia 26, no Sesc Pompeia); e Dysiquilibrio (colaborativo de Dudu de Herrmann e Marco Paulo Rolla (no dia 23, também no Sesc Pompeia).

"São discussões que estão presentes também na Bienal. A diferença é que, na Bienal, o foco é em artes visuais e na mostra a gente ampliou o olhar para outras ações, como a artemídia", explica a curadora do Sesc.

A programação musical também está recheada. Uma das atrações principais, o guitarrista americano Lou Reed, se apresentará nos dias 20 e 21 (sábado e domingo), no Sesc Pinheiros. Os ingressos esgotaram na primeira hora de vendas.

Outro americano que tocará no evento é o baterista Steve Shelley, da banda Sonic Youth. Ele se apresentará ao lado de Michael Roaster (ex-Kraftwerk) e Aaron Mullan (Trall Firs), com os quais forma o trio Hallogallo 2010. No Brasil pela terceira vez, Shelley diz que está ansioso. "Gosto de tocar no Brasil. A plateia é muito boa." Shelley define o repertório do show como "crowd rock" (rock de multidão). "É música instrumental, com inspiração dos anos 70", resume.

ALGUNS DOS DESTAQUES

Lou Reed: Os shows do guitarrista americano serão nos dias 20 e 21 no Sesc Pinheiros. Os ingressos estão esgotados.

Ornette Coleman: Conhecido como o criador do estilo free jazz, o saxofonista e compositor americano se apresentará nos dias 27 e 28, também no Sesc

Pinheiros.

Chelpa Ferro: O coletivo de arte criado pelos artistas plásticos Barrão, Luiz Zerbini e Sérgio Mekler faz show no dia 25 no Sesc Pompeia.

DR9: Também no dia 25, o Cinesesc exibe o longa DR9, do artistaplástico americano Matthew Barney. A trilha sonora é assinada pela cantora Björk.

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