Nos postes, noite de SP ficará mais alaranjada

A cidade de São Paulo tem aproximadamente uma lâmpada de rua para cada 20 moradores. Nos próximos meses, a capital deve ganhar 18 mil pontos de luz. Mas o detalhe que deve chamar mais a atenção é que as vias devem perder por completo a iluminação branca restante de vapor de mercúrio. O alaranjado das lâmpadas de vapor de sódio ganhará o Município.

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

08 Março 2013 | 02h05

Até o fim do ano, as cerca de 75 mil lâmpadas de luz branca que ainda iluminam as ruas da capital serão substituídas por equipamentos de vapor de sódio, que emitem luz alaranjada 35% mais forte e gastam menos energia - além de ter quase o dobro de durabilidade. É o que afirmou ontem o secretário municipal dos Serviços, Simão Pedro.

Com a substituição das lâmpadas, serão beneficiados 13% dos 544 mil pontos de luz paulistanos. A meta é trocar cerca de 10 mil luminárias a cada mês, em média. Dessa forma, será concluído um processo que começou nos anos 1990 - as promessas de troca total, aliás, datam da década passada.

Vias de diversas regiões da cidade ainda têm instaladas as lâmpadas com iluminação mais fraca, mesmo em áreas do centro expandido. Muitas vezes, na mesma rua há os dois tipos de dispositivo elétrico, alternando pontos mais iluminados do que outros.

Com a mudança, encerra-se outra era na iluminação pública paulistana - que nasceu em meio à escuridão, uma vez que a Câmara de São Paulo de Piratininga proibia até o uso de tochas no século 16, pois os telhados das casas eram de palha e temiam-se incêndio. Depois vieram lamparinas até com óleo de baleia e, em 1872, os clássicos lampiões a gás. A energia elétrica só surgiu em 1900 e passou a ser usada como padrão nas vias em 1929.

Novos pontos. A gestão Fernando Haddad (PT) também pretende colocar 18 mil novos pontos de luz em lugares que hoje estão às escuras. "São ruas ou bairros que foram regularizados e ainda não têm iluminação", disse Simão Pedro.

Terão prioridade os lugares onde houve casos registrados de violência sexual. Um mapeamento feito pela Guarda Civil Metropolitana (GCM), no ano passado, foi repassado para a Secretaria Municipal dos Serviços, responsável pela iluminação pública, para ajudar a balizar as decisões sobre os pontos que devem ter a luz devidamente reforçada.

Na avaliação da urbanista Ermínia Maricato, professora de pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), a redução da violência na cidade passa pelo reforço da iluminação. "Isso é fundamental. Há estudos que mostram que nas áreas mais iluminadas o índice de ocorrências de roubos e agressões diminui." A medida foi anunciada em uma cerimônia dedicada à divulgação de novos programas municipais voltados às mulheres.

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