Nos parques, segurança tem 'pontos cegos'

Frequentadores reclamam de má distribuição dos vigias; funcionários dizem que o efetivo é insuficiente

O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2013 | 02h40

No parque mais famoso da cidade, o do Ibirapuera, guardas-civis e cerca de 55 vigias terceirizados dividem a responsabilidade pela segurança. Para os frequentadores e até para os próprios vigias, o efetivo é insuficiente para um espaço de 1,4 milhão de metros quadrados. "É pouco, principalmente com o parque lotado. A GCM dá só uma força, quem faz o trabalho mesmo somos nós", disse um dos vigilantes.

Uma reclamação recorrente de quem frequenta o Ibirapuera é a de que os guardas são mal distribuídos. A reportagem do Estado circulou por lá na tarde de sexta-feira e encontrou quase todos os seguranças concentrados nos bolsões de estacionamento, enquanto as ciclovias, pistas de cooper e áreas verdes estavam desprotegidas.

"Eles só querem ficar no estacionamento, enquanto tem gente sendo assaltada no meio do parque. Também vejo muita gente usando droga. Ontem mesmo vi três homens usando cocaína, mas os guardas só passam na bicicleta e não fazem nada", afirma o educador físico Adalberto Souza, de 59 anos, que vai quatro vezes por semana ao parque.

Moradora de Moema, a estudante Daniela Paula Chinellato, de 33 anos, reclama da falta de fiscalização. "Ainda falta muito para ser um parque civilizado como vemos em outras cidades do mundo. Sempre tem gente jogando comida e sujeira no lago, e nunca aparece um guarda para dizer 'ei, isso não pode'."

Para a publicitária Camila Henriques, de 23 anos, que vai ao Ibirapuera andar de patins com a filha, a entrada no parque é pouco controlada. "Vemos pessoas com bebida alcoólica no meio das crianças no parque e ninguém faz nada. E à noite piora. Tenho amigos que já deixaram de vir fazer exercício aqui depois das 18 horas", diz Camila.

Na zona oeste da cidade, o Parque Villa-Lobos recebe quase 25 mil pessoas por dia nos fins de semana - e o contingente é de menos de 50 seguranças, já com o reforço. De segunda a sexta, são apenas de 32 deles. Um segurança terceirizado que trabalha lá diz que "faz o que pode". "Mas a gente pode pouco. É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo: skate, bicicleta, gente fazendo caminhada, piquenique. No meio disso tudo, sempre tem alguém mal intencionado para cometer um delito." / A.R e N.C.

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