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‘Nos deixou mais conectadas’, diz mãe sobre levar filha de bicicleta à escola

Silvia Ballan passou para filha Nina hábito de usar bike como meio de transporte; mãe relata como experiência impactou no desenvolvimento da menina

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2022 | 05h00

Os olhares de desaprovação e estranhamento eram comuns, mas a editora de vídeo Silvia Ballan, de 50 anos, não cogitou deixar de levar a filha Nina na garupa da bicicleta até a escola. “Uma mulher na rua uma vez disse ‘coitada dessa criança que precisa ir de bicicleta, que não tem carro'”, recorda-se.

Ela percebe, contudo, que a experiência as deixou mais conectadas e também impactou no desenvolvimento da menina, hoje com 14 anos, que utiliza a bicicleta como um dos principais meios de transporte. “Foi importante para ela ter independência, autonomia, exercer a cidadania, perceber que tem responsabilidade com o próximo”, pontua. Parte dessas experiências são compartilhadas no Instagram, nos perfis Silvia e Nina e Cheguei de Bicicleta.

Com a filha mais velha, Bia, hoje com 23 anos, Silvia já tinha experiências com o uso da bicicleta como meio de transporte em família. Mas a situação se tornou mais evidente ao vender o carro quando Nina tinha quatro anos, de visitas a familiares até consultas no dentista.

“A criança na bicicleta tem uma noção do lugar que ela vive, do espaço. Na garupa, de patinete, a pé, de bicicleta, ela tem essa noção de cuidar do próximo, de respeitar o semáforo”, comenta. “Ela percebia os carros que não paravam na faixa, no sinal. É uma experiência que cria uma criança consciente onde pode ir, como se proteger, que percebe o que os outros não estão fazendo de legal.”

Silvia ainda ressalta que a experiência criou uma cumplicidade. Nina lembrava de levar a capa de chuva em dias nublados, pegava a luz de sinalização se era perto do anoitecer e tomava outros cuidados. “A criança que cresce nesse ambiente, vivendo a rua, fica mais esperta e mais cidadã”, comenta. 

Durante o trajeto, comentários sobre a rua, os carros e a cidade também preenchiam essa proximidade. Isso não significa que a segurança viária não fosse uma preocupação.

Para Silvia, uma maior inserção de crianças e jovens ciclistas passa por mudanças comportamentais e de estrutura.  Moradoras do Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo, mãe e filha priorizam ciclovias, mesmo que o trajeto seja maior, e ruas arborizadas, para atenuar o sol paulistano. “Nunca consegui colocá-la na rua. São três quilômetros até a escola”, relata. 

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