Andre Dusek/AE-19/5/2011
Andre Dusek/AE-19/5/2011

Nos câmpus do País, PM é cada vez mais presente

Universidades de outras cidades usam o serviço da polícia, sob argumento de que as instituições não são ilhas de segurança

O Estado de S. Paulo

06 Novembro 2011 | 03h01

A presença da Polícia Militar ainda não é padrão nas principais universidades do Brasil, mas vem se tornando cada vez mais frequente. Onde foi adotada, o principal argumento é de que os câmpus não são ilhas de segurança em meio às cidades e precisam do mesmo aparato policial que o restante da sociedade.

 

As universidades paulistas têm a presença ostensiva de policiais militares nos câmpus. Além da Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) também reforçam a segurança interna com a PM.

 

O câmpus da Unesp de Bauru, um dos mais populosos no Estado, conta com três rondas diárias (manhã, tarde e noite) desde julho deste ano. A polícia também opina sobre a segurança no local. A desativação de quatro dos nove portões de entrada de pedestres foi sugestão do comando da PM, por exemplo. "Discutimos bastante o assunto com os alunos. As rondas inibem ações fora de padrão", afirma o diretor da Faculdade de Engenharia de Bauru, Jair Manfrenato.

 

Na Unicamp, a PM "desempenha a mesma cobertura observada no restante do município", segundo a Reitoria. Além dos policiais militares, também a Polícia Civil desenvolve parceria com a universidade. O 7.º DP de Campinas mantém contato online com a segurança do câmpus, que comunica por e-mail qualquer anormalidade, antes mesmo de ser feito boletim de ocorrência.

 

Rio

 

No principal câmpus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, a Polícia Militar também está presente e deve ampliar sua atuação. Segundo a prefeitura da Cidade Universitária, o câmpus tem 100 vigilantes armados.

 

Seis viaturas da PM se revezam no patrulhamento da área, com o apoio do regimento de cavalaria da corporação. Neste ano, foi firmado convênio com a Secretaria de Estado de Segurança para ampliação do efetivo.

 

Nos dias úteis, 70 mil pessoas circulam pelo câmpus, que tem área igual à dos bairros de Ipanema e Leblon, na zona sul do Rio.

 

Brasília

 

O tema segurança é levado tão a sério na Universidade de Brasília (UnB) que serviu de mote na campanha vitoriosa da chapa Aliança pela Liberdade na eleição para o Diretório Central dos Estudantes (DCE), no final do mês passado, desbancando grupos de esquerda que mantinham hegemonia desde a criação da instituição, em 1962.

 

Um batalhão da PM está há mais de 10 anos no câmpus, mas em 2010 o número de ocorrências quase dobrou, chegando a 30 ao mês. A direção decidiu então intensificar a cooperação com a polícia e investir em tecnologia para reduzir a ação de criminosos. Só com a instalação de câmeras é investido R$ 1,3 milhão.

 

Em 1998, as relações com a polícia começaram a distender e agora a instituição considera bem-vinda a presença policial. "A UnB não é mais nem menos insegura do que o resto da cidade e da mesma forma precisa de atenção da segurança pública", diz o professor Paulo César Marques, que participou da elaboração do plano de segurança.

 

Nordeste

 

No câmpus de Ondina da Universidade Federal da Bahia, parcerias com as Polícias Civil e Militar são feitas apenas para o patrulhamento do entorno da instituição. Na parte interna, 700 homens de três empresas de segurança vigiam as instalações, por onde circulam 50 mil pessoas.

 

A segurança do câmpus da Universidade Federal de Pernambuco é feita por 320 pessoas da instituição e mais 20 homens de empresa terceirizada com porte de arma. A universidade tem cinco carros e quatro motos para o serviço de segurança e mantém sistema de rádio integrado com a PM, que não faz ronda dentro do câmpus. A Universidade Federal Rural de Pernambuco tem sistema semelhante nos três câmpus. / ANGELA LACERDA, ALFREDO JUNQUEIRA, FÁBIO GRELLET, TIAGO DÉCIMO e WILLIAM CARDOSO

 

No Rio Grande do Sul, universidades terceirizam vigias

 

As duas maiores universidades de Porto Alegre usam sistemas de segurança próprios no câmpus. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) mantém pequena equipe de funcionários de seus quadros e conta com a presença de vigilantes de empresa especializada, contratada para cuidar de seus quatro câmpus.

 

A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul tem equipe própria, formada por funcionários da instituição. Outra das grandes universidades do Estado, a Federal de Santa Maria, segue padrões semelhantes aos da UFRGS, com funcionários e empresa terceirizada. / ELDER OGLIARI

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