Nos bastidores da ''Broadway paulistana''

Após promover 7 dos 14 musicais que animaram a cidade nos últimos dez anos, Paulo Leal se prepara para estrear mais um, em julho: 'O Médico e o Monstro'

, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2010 | 00h00

Há dez anos, a estreia de O Beijo da Mulher-Aranha, primeiro grande musical produzido no País, marcava o início de uma indústria que já criou 25 mil empregos diretos, movimentou R$ 60 milhões e atraiu 6 milhões de espectadores. Mas, para garantir que espetáculos aplaudidos na Broadway se tornem realidade nas vozes e performances de artistas brasileiros, o trabalho vai bem além dos ensaios. Requer empenho de profissionais como Paulo Leal, empresário responsável por promover sete dos 14 grandes espetáculos do gênero já apresentados - incluindo o primeiro. E tem mais dois programados para este ano.

"Em dez anos, o mercado cresceu dez vezes. No ano 2000, nunca se imaginaria que o Brasil teria oito, nove espetáculos ao mesmo tempo. E, daqui a três anos, a estreia de um grande musical ocorrerá simultaneamente em São Paulo, Londres e Nova York", vislumbra Leal. Aos 43 anos, o paulistano acaba de lançar a Broadway Brasil Produções, marca 100% especializada nas versões brasileiras dos espetáculos nova-iorquinos e londrinos. Entre mil e uma viagens e atividades, ele se prepara para a estreia de O Médico e o Monstro, marcada para 8 de julho no Teatro Bradesco. E acaba de fechar acordo para trazer, em novembro, o grupo espanhol La Fura dels Bals, famoso por se apresentar em espaços não-convencionais.

Apesar de fã de musicais desde que morou em Londres e Nova York, foi por acaso que Leal participou do nascimento da "Broadway paulistana". Em 2000, foi convidado a se tornar sócio e diretor da Companhia Interamericana de Entretenimento, atual Ticket for Fun. A multinacional garantiu um acordo de longo prazo com três grandes estúdios da Broadway. Para Paulo, foi o pontapé inicial. "Essas produções ultrapassam R$ 6 milhões. Até então, era inimaginável um investimento desse tamanho em uma obra teatral."

Do navio com o figurino de Les Misérables, o produtor Cameron Mackintosh telefonou para saber da inauguração do Teatro Abril, onde seria a estreia. Quando Leal falou sobre o atraso das obras, Cameron foi categórico: não mudaria a data, com ou sem teatro. "A mensagem foi dura, mas marcante. Vimos que estávamos em algo muito sério. Não dá para atrasar em respeito ao público e a outras produções. Não dá para usar o jeitinho brasileiro", diz. "Corremos contra o tempo e o teatro ficou pronto."

Da cessão de direitos autorais à captação de patrocínios, Leal gerencia toda a cadeia de produção com 350 profissionais para que a produção seja fidedigna. "O trabalho dele é bastante complicado, depende de Lei Rouanet, captação de recursos, prazo que os americanos estabelecem. Conseguir dinheiro para espetáculos do porte desses musicais é louvável", diz o ator Saulo Vasconcelos, protagonista de O Fantasma da Ópera e A Bela e a Fera, organizados por Leal.

Multitarefas. Nascido na Vila Mariana, Leal foi vizinho de Leo Jaime e Rita Lee e convive com música desde criança. "Meu pai era amigo do Vinícius de Moraes e do Paulinho Nogueira, que me deu aulas de violão." Sócio há 20 anos do irmão Sérgio na PSL Participações, foi diretor da DreamFactory, MTV, ESPN, Direct TV e grandes casas de espetáculo, como Credicard Hall. "É um profissional ímpar, preocupa-se com cada detalhe. Todos do meio o respeitam e desejam ser parceiros", elogia o músico Leo Maia.

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