Nos anúncios, erva era indicada para asma

A maconha já foi usada e vendida legalmente no Brasil entre o fim do século 19 e o início do 20. Não havia restrição à droga - só em 1938 a substância foi considerada entorpecente - e seu uso medicinal era corriqueiro. Vários anúncios e testemunhos foram publicados no Estado. A maioria exaltava os benefícios da droga em tratamentos de saúde.

CARLOS ENTINI / DO ARQUIVO, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h03

Um "infeliz carregador de jornais" afirma quase ter largado a "modesta posição que lhe assegurava o pão" por causa da asma. Mas depois de fazer uso do cigarros de "Cannabis" ficou tão satisfeito com os resultados que sua vida sem eles se tornou impossível, explica o anúncio de 22 de maio de 1896.

As principais indicações dos cigarros eram para problemas respiratórios: asma, bronquite, tosse. Mas também era indicada para insônia. Os "Cigarros Índios" (cigarrettes indiennes) com a substância "Cannabis indica" prometiam alívio imediato dos sintomas. Os cigarros, industrializados, eram vendidos embalados e comercializados pelo laboratório francês Grimault & Comp.

Dados históricos também mostram como a droga era polêmica. No século 18, o vice-rei Luiz de Vasconcellos e Souza enviou a São Paulo um ofício (com sacas de sementes), pedindo aos agricultores que plantassem maconha. Em 1890, a República criou a Seção de Entorpecentes Tóxicos e Mistificação, para impedir o uso da erva nos rituais do candomblé. A legalização da religião no Estado Novo também passaria pela exigência do fim do uso da maconha - que passou a ser proibida e combatida.

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