Nos 1ºs 50 dias de Haddad, 82 reuniões e 25 eventos públicos

Por enquanto, novo prefeito tem saído menos do gabinete que Kassab e só foi à periferia 5 vezes

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2013 | 02h03

Nos primeiros 50 dias de governo, o prefeito Fernando Haddad (PT) participou mais de reuniões com o secretariado e circulou menos pela cidade que o antecessor, Gilberto Kassab (PSD).

No período, Haddad foi a 25 eventos públicos, apenas quatro na periferia - três em Centros Educacionais Unificados (CEUs) e um durante a visita da presidente Dilma Rousseff para anunciar ajuda federal. Ontem, no 54.º dia de governo, ele fez a quinta incursão a um extremo da cidade, em um evento no M'Boi Mirim, na zona sul.

Por enquanto, Haddad tem passado a maior parte do tempo discutindo com secretários na mesa de seu gabinete, no 5.º andar do Edifício Matarazzo, no centro. Ao todo, foram 82 reuniões e 26 almoços de trabalho. A conta não inclui audiências com pessoas de fora da equipe.

Para a professora Vera Chaia, do Departamento de Política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o grande número de reuniões faz parte de um momento em que o prefeito ainda está conhecendo as engrenagens da capital. "É uma forma diferente de dirigir, mais descentralizada. Ele atribuiu um papel importante para os subprefeitos, que têm experiência administrativa."

Já Kassab costumava ir a mais de um evento por dia, em inaugurações e vistorias de obras em andamento, quase sempre com direito a discurso.

Prioridades. O Estado usou um software para contabilizar os temas que mais aparecem na agenda oficial de Haddad, criando a chamada "nuvem de palavras". Depois do termo "reunião", o que mais aparece é o nome do secretário de Governo, Antonio Donato. Ex-vereador experiente, o braço político de Haddad esteve em 42 compromissos com ele.

Secretários de pastas vitais estiveram menos presentes. Jilmar Tatto, de Transportes, consta em 14 compromissos oficiais com Haddad. Já José de Filippi Júnior, da Saúde, esteve oito vezes com o prefeito em agenda pública e César Callegari, da Educação, cinco. A secretária Mariane Pinotti, da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, aparece duas vezes no levantamento da agenda do prefeito - o mesmo número de vezes dos executivos da construtora Odebrecht, responsável pela obra do estádio do Corinthians, em Itaquera, na zona leste.

O secretário de Negócios Jurídicos, Luís Massonetto, é o segundo mais presente nas reuniões - 37 vezes. A professora Vera Chaia ressalta que a presença dele pode se justificar pelo fato de Haddad ainda estar decidindo o que fazer com os contratos deixados por Kassab.

Perfil. Com longa experiência parlamentar, Kassab é definido pelos especialistas como um político tradicional. O que quer dizer que gosta do corpo a corpo, de ser visto e de negociar com outros políticos. Haddad, por sua vez, atribui esse papel de tratar com vereadores, por exemplo, ao secretariado. O prefeito recebeu quatro vereadores - apenas um não era petista: Masataka Ota (PSB). Pela agenda oficial, Nabil Bonduki (PT), o encarregado pelo partido de pensar o novo Plano Diretor da cidade, visitou três vezes o gabinete.

"É uma gestão mais racional. Ela tira esse lado pessoal, aquela relação direta do prefeito, e coloca os intermediários, que são os secretários. Isso cria uma outra relação com setores que compõem a sociedade, não é aquela coisa do corpo a corpo", explica a cientista política Maria do Socorro Braga, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Apesar das eleições do ano que vem, por enquanto Haddad tenta demonstrar sintonia com o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Os dois já se encontraram quatro vezes - duas no Palácio dos Bandeirantes, uma na Prefeitura e outra em um evento de moda. "Ambos estão querendo passar a imagem de responsabilidade. Chegamos a um nível em que, se não houver parceria, as coisas não vão andar bem", diz Maria do Socorro.

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