Norah Jones faz show 'cool' para 22 mil

Outros 18 mil não conseguiram entrar no Parque da Independência e tiveram de ver a apresentação da jazzista americana pelo telão

Kívia Costa, Chico Felitti ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2010 | 00h00

Na véspera do feriado de Proclamação da República, o destino de milhares de paulistanos foi o Parque da Independência, no Ipiranga. A multidão de tênis, calça jeans e mais blusa do que se espera em novembro não fez confusão com as datas cívicas. Queriam ver a jazzista Norah Jones e sua banda ao vivo, de graça. O problema é que metade do público que foi ao local não conseguiu entrar no parque.

Segundo a assessoria de imprensa do show, 22 mil pessoas entraram no parque e viram a cantora americana apresentar o show da turnê de seu álbum mais recente, The Fall, nome bem adequado ao frio fora de época do fim de semana prolongado. Outras 18 mil, segundo estimativas da Polícia Militar, ficaram do lado de fora por causa das filas ou preferiram tentar assistir à apresentação pelas laterais do Independência. A eles, restou ver Norah Jones pelo telão instalado pelos promotores do show.

Apesar disso, a PM não registrou incidentes de maior gravidade e apenas deteve duas pessoas que tentaram pular o muro do parque. Houve quem reclamasse do esquema de revista feito pela polícia - mesmo sendo aleatório, o processo era demorado e deixou muita gente impaciente ao ouvir os primeiros acordes.

Grades. Quem conseguiu entrar não teve do que reclamar. "Hoje é dia de chorar, de lembrar aquele amor do passado", disse o mineiro Frederico de Castro. "Eu nem cogitei viajar no feriado", salientou Janaína Lima, fã da cantora, acompanhada do marido e do filho de 4 anos. Perto da família, cada metro quadrado de grama era disputado por amigos e casais, que ora acompanhavam a cantora, ora aproveitavam a rara oportunidade de contemplar o céu sem tantas nuvens. "Lembra os shows do Central Park, exceto pelas grades", observou o americano Daniel Hatkoff, recém-chegado a São Paulo.

Ao lado dessas grades, duas horas antes do show, já se formava uma fila quilométrica e uma pilha de guarda-chuvas, que não podiam ser levados para dentro do parque. Garrafas de plástico eram permitidas, mas nem tão necessárias. A Sabesp estacionou um caminhão-pipa a 500 metros do palco e distribuía água em copos descartáveis.

Passadas 20 músicas, já não era tarde de domingo. O público levanta, pega jaquetas, cangas e cadeiras de praia e deixa o parque tão tranquilamente quanto a cantora e suas canções.

"Cool". Em São Paulo, Norah Jones ficou hospedada no Hotel Fasano. Lá, entrou pela porta giratória carregando sua própria bagagem, um fato difícil de se imaginar ao pensar em uma estrela internacional.

A cantora quase não deixou o Fasano nos dois dias em que ficou hospedada. Só mostrou a cara (sem maquiagem) fo ra do hotel de luxo a cinco horas do show. Enquanto isso, sua equipe passeava pelos Jardins e voltava carregada de sacolas de lojas como Galeria Melissa e Maria Bonita. Parados pelo Estado, os gringos diziam que o grupo estava exultante com a turnê pela América do Sul, mas que só Norah Jones falaria sobre Norah Jones.

E ela falou, sorrindo, no caminho entre as portas do hotel e do carro. "Vai ser "cool"", disse, a caminho do Ipiranga. Mas "cool" que nem o tempo, friozinho, ou no sentido de bacana, descolado? "Os dois", ela riu. "Vai ser duplamente "cool"".

Chegando ao Parque da Independência, ela passou o som por 40 minutos e foi para o "camarim", atrás do palco. No caso, os pés do Monumento à Independência. Em roda com os colegas de palco, dedilhou um blues no violão, sem cantar, e fez piada de si mesma. Norah Jones é assim, cool como sua apresentação no frio atípico de São Paulo.N

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