'Noias' se espalham pela Santa Ifigênia e revoltam comerciantes

Usuário de crack pôs fogo em sofá ao fumar; 'Se vai melhorar com a PM? Já piorou, olha aí', reclamou vendedor de uma loja

O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2012 | 03h04

Três bases móveis e Cavalaria da Polícia Militar não foram suficientes para impedir que usuários continuassem fumando crack na Praça Júlio Prestes nem que se espalhassem para as ruas comerciais do entorno, como dos Andradas e Santa Ifigênia, famosas pela venda de produtos de som e eletroeletrônicos.

Intimidados pela presença da PM, em um primeiro momento, os "noias" deixaram o gradil do terreno da antiga rodoviária da Luz, onde costumam ficar, e seguiram para o gramado na frente da Estação Júlio Prestes. Policiais se aproximaram e eles correram pela Rua dos Andradas e General Osório até a Rua do Triunfo. Dali, espalharam-se pelas esquinas adjacentes, enquanto eram observados por vendedores e comerciantes perplexos.

"A polícia tira (noias) de um lugar para colocar em outro - a nossa porta. Quero ver como é que vai ficar nossa segurança", disse Roberto Cheda, dono de loja de aparelhos de som a uma quadra da Santa Ifigênia. "Agora vai ficar essa brincadeira de gato e rato entre eles e a PM", reclamou José Luiz de Souza, que tem uma lanchonete na Rua dos Andradas há 30 anos. Ontem, ele assistiu a um viciado colocando fogo em sofá e colchão velhos enquanto fumava na frente de uma loja. Os bombeiros foram chamados para apagar o incêndio, que foi de pequena proporção.

Ainda no meio da tarde, usuários começaram a voltar para a esquina da Avenida Duque de Caxias com a Santa Ifigênia. A menos de 30 metros de uma das bases da PM, voltaram a formar um aglomerado, fumar e brigar.

"Se vai melhorar com a PM? Já piorou, olha aí", afirmou o vendedor de uma loja de sapatos.

Volta. Antes das 18 horas, a Praça Júlio Prestes já começava a ficar tomada novamente pelos "noias". No meio dos usuários, muitos vendiam pedras de crack livremente. Alegando que não estavam ali para coibir o usuário, e sim o crime, PMs faziam vista grossa para tudo e não agiam. / ADRIANA FERRAZ e NATALY COSTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.