No WhatsApp, Alckmin reclama de 'proveito político' de crise hídrica

Em vídeo, governador rebateu fala de presidente da ANA; deputado tucano pede quebra de decoro de petista

Marco Antônio Carvalho e Rafael Italiani, Especial para o Estado

22 de outubro de 2014 | 12h20

Atualizada às 22h33

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), reagiu nesta quarta-feira, 22, às declarações do presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, sobre as medidas tomadas durante a crise hídrica do Sistema Cantareira. Em vídeo divulgado em aplicativos de mensagens de celular e postado nas redes sociais, o governador afirmou que é “lamentável” se tirar “proveito político” do atual problema enfrentado pelos paulistas. 

Filiado ao PT desde 1982, Andreu afirmou na terça, durante debate na Assembleia Legislativa sobre a falta de água, que o uso da segunda cota do volume morto do Cantareira é uma “pré-tragédia” e, se não voltar a chover, “não haverá alternativa, a não ser ir ao lodo”. O evento foi promovido pela bancada do PT.

Alckmin, no vídeo, disse que o momento exige “responsabilidade e solidariedade” frente à “maior seca” dos últimos 84 anos. “É lamentável que, em um momento desse, onde há necessidade de união de todos, alguns queiram tirar proveito político deste fato. Este não é o espírito de São Paulo”, afirmou o governador. A gravação foi divulgada em rede social do candidato tucano à Presidência, Aécio Neves. 

O governador aproveitou também para destacar suas medidas para garantir o abastecimento. “Estamos trabalhando, interligando os sistemas e investindo em obras e novos sistemas de abastecimento de água para a população”, disse. Alckmin reforçou a informação, já divulgada, de novos descontos para quem reduzir o consumo.

Decoro. O deputado Cauê Macris, líder do PSDB na Assembleia, protocolou nesta quarta na Comissão de Ética pedido de quebra de decoro contra João Paulo Rillo, líder petista. “Foi um comício dentro de um prédio público e vamos garantir que a lei seja cumprida. Eles estão desesperados porque vão perder a eleição (presidencial)”, disse. 

Rillo rebateu as acusações. “Foi uma palestra técnica, de credibilidade e irritou o governador”, afirmou. Ele ainda criticou o deputado federal José Aníbal (PSDB), um dos coordenadores da campanha de Aécio, que chamou Andreu de “vagabundo”. “Isso mostra o déficit de civilidade do PSDB.”

Nesta quarta, Aníbal voltou a criticar o presidente da ANA. “Um sujeito que tem essa responsabilidade não pode falar em ‘pré-tragédia’ e ‘lodo’. É um alucinado. Nós só partimos para o ataque quando se trata de um cidadão que transgride e faz proselitismo político”, disse o tucano. 

Enquanto houver campanha, o PT disse que vai explorar a crise da água. “É uma questão que está clara para a população. Dilma Rousseff falou e nossas lideranças vão continuar falando disso”, afirmou Emídio de Souza, presidente do PT em São Paulo. / COLABORARAM BRUNO RIBEIRO e FABIO LEITE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.