No topo, São Caetano ainda quer mais

Município com maior IDH do País pela terceira vez se desafia a melhorar índice conquistado

TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2013 | 02h08

Pela terceira vez consecutiva, o município de São Caetano do Sul, no ABC, apresentou o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País, com um taxa de 0,862. Dados divulgados ontem pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) mostram que a cidade tem, ainda, a mais elevada renda per capita, R$ 2.043,74, e uma das 21 maiores taxas de longevidade do Brasil - 78,2 anos.

Com um território de 15 km², praticamente cem vezes menor do que a área ocupada pela capital paulista, São Caetano tem 149.263 habitantes, segundo o Censo de 2010 feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desde sua emancipação, em 1948, a cidade nunca teve favelas. Atualmente, de acordo com a prefeitura, todas as casas têm água encanada e 100% do esgoto é coletado e tratado.

Embora tenha se mantido no topo do ranking de IDH nas últimas três décadas, São Caetano experimentou um crescimento menor no mais recente intervalo da pesquisa. Enquanto o IDH subiu 17% de 1991 (0,697) para 2000 (0,820), o aumento nos últimos dez anos foi de 5,1%, conforme mostram os números divulgados ontem. O desafio da prefeitura é fazer as taxas crescerem mais.

"Acho que, em primeiro lugar, a administração tem de se preocupar em investir na educação. Se a educação é boa, o resto é consequência: a renda per capita vai aumentar e a longevidade será maior. Além disso, um povo bem educado sabe reclamar e reivindicar, ou seja, vai fazer a cidade melhorar cada vez mais", disse o prefeito Paulo Pinheiro (PMDB), que foi vereador por quatro mandatos.

O tamanho reduzido da cidade, a arrecadação com tributos de grandes empresas instaladas no município, como a General Motors e as Casas Bahia, e investimentos em educação (as escolas estaduais de ensino fundamental foram municipalizadas ao longo dos últimos anos) são apontados como alguns dos fatores que explicam o alto índice de desenvolvimento. Para alguns moradores, a renda per capita alta tem a ver com o fato de que quase 30% da população viaja para a capital ou outras cidades da Região Metropolitana para trabalhar, em busca de salários mais altos.

Orgulho. A maior parte dos habitantes, no entanto, mora e trabalha no município. A professora Sandra Regina Carniel, de 48 anos, dá aulas na mesma escola em que estudou. "Tudo o que preciso posso fazer a poucos quilômetros da minha casa. Sou nascida e criada em São Caetano, e tenho muito orgulho."

Além de dar aulas de inglês em um colégio municipal, Sandra usa vários serviços oferecidos pela prefeitura. O pai frequentava o clube da terceira idade até ser diagnosticado com Alzheimer, quando passou, então, a receber visitas em casa dos agentes de saúde. Os remédios para tratamento da doença são entregues de graça. Como adotou uma criança carente, Sandra é isenta da cobrança do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) até que a filha complete 18 anos.

Aluna da escola municipal Professora Alcina Dantas Feijão, a estudante Ariane Baldino, de 17 anos, diz que tem acesso a uma grade comparável a de colégios particulares. Entre outras coisas, ela pode participar de videoconferências com estudantes de outros países para estudar inglês e espanhol e de um projeto educacional com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Idosos. Com uma população idosa representativa, São Caetano tem quatro centros para a terceira idade. No maior deles, o José Nicolau Braido, 2,7 mil idosos jogam baralho, dominó, sinuca e fazem tricô, além de ter aulas de dança, natação e pintura. O centro oferece atendimento médico gratuito e organiza, semanalmente, bailes.

O aposentado Francisco Stopa, de 66 anos, passa a maior parte do dia no clube. "Isso aqui fica lotado. É a minha segunda casa, e essas pessoas são minha família." Também aposentado, Antônio Piguin, de 79, faz um alerta sobre o crescimento da cidade: "Não tem lugar melhor para se viver. Não penso em sair daqui, mas São Caetano não comporta muito mais gente. Andaram fazendo muito prédio, e isso não é bom".

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