Elize espera convencer jurados com 'detalhes' sobre crime, diz advogada

Interrogatório da ré foi adiado para este domingo, depois de sessão que teve leitura de depoimentos, exibições de reportagens, exposição de documentos e leitura de relatos de testemunhas

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2016 | 22h43

O interrogatório de Elize Matsunaga, acusada de matar e esquartejar o marido, está marcado para começar às 9h30 deste domingo, 4, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. Aos jurados, ela deve confirmar a sua confissão. Os advogados de defesa, no entanto, afirmam que o depoimento guarda "algumas surpresas". "Talvez o que os jurados precisem seja de um detalhe", teria dito a ré neste sábado, 3, segundo a advogada Rosielle Soglio.

Após seis dias de julgamento, Elize continua ansiosa, diz a defesa. Ela só não responderá às perguntas da acusação e a expectativa é que seja sabatinada pelos jurados. O Conselho de Sentença tem chamada atenção pela quantidade de questões feitas às testemunhas. O depoimento deve durar mais de cinco horas.

Ré confessa, ela é julgada por homicídio triplamente qualificado, além de destruição e ocultação de cadáver. Caso seja condenada pelos dois crimes, pode pegar até 33 anos de prisão. Ela só sai pela porta da frente do Fórum se for absolvida pelo júri.

Travamento. A sessão deste sábado, 3, foi por leitura de peças e exposição de documentos incluídos no processo, o que frustrou dezenas de pessoas que foram ao Fórum com expectativa de ouvir Elize. A sessão foi interrompida com mais de nove horas de duração.

Tanto a promotoria quanto a defesa de Elize fizeram críticas sobre o desenrolar do dia e culparam um ao outro pelo "travamento" da pauta. O empresário Marcos Kitano Matsunaga, herdeiro da Yoki, foi baleado na cabeça e teve o corpo cortado em sete partes. 

Em um dos pontos mais polêmicos, o Ministério Público de São Paulo (MPE) pediu a leitura de matéria jornalística que abordava um relacionamento dela com a sequestradora Sandra Regina Gomes, a Sandrão, já rompido.

"É altamente homofóbica", reclamou a advogada Roselle Soglio, que representa a ré. "A partir do momento que a defesa pretendeu exibir as fotos da Nathalia (amante de Marcos) nua, eu tenho que ter o contrapeso", afirmou o promotor José Carlos Cosenzo, para quem o julgamento está acontecendo "em alto tempo, mas não em alto nível". 

A acusação também exibiu reportagens sobre detalhes das investigações na época do crime, que ocorreu em maio de 2012. Parte das informações não se confirmou ao longo do processo. Já a defesa exibiu vídeo sobre a reconstituição do crime, com imagens do apartamento do casal: estratégia, segundo a promotoria, para "cansar os jurados".

Antes da exposição do material, foram lidos depoimentos de testemunhas, prestados em outras fases do processo. Entre as declarações, está a de Nathalia Vila Real Lima, apontada como amante da vítima.

Os dois se conhecerem através de um site de acompanhantes, o mesmo que Marcos havia encontrado Elize. Em juízo, Nathalia afirmou que iniciou uma relação com o empresário no início de 2012. Segundo relato, o empresário fazia planos com ela e queria se separar de Elize. "Ele disse que a separação seria tranquila, a filha ficaria com a mãe e pagaria pensão."

Marcos pagou R$ 27 mil para que Nathalia retirasse as suas fotos da internet e a presenteou com um carro de cerca de R$ 100 mil. Elize chegou a contratar um detetive para descobrir e filmar a traição do marido. O empresário foi morto no mesmo fim de semana em que a ré assistiu às imagens.

A acusação explorou informações do passado de Elize como garota de programa. Já a defesa expôs episódios em que ela teria sido vítima de violência de Marcos. Em um áudio, 25 dias antes do crime, Elize liga para a Polícia Militar. "Meu marido está dentro de casa e me ameaçou", diz a ré, ao telefone.

Nas leituras realizadas, um amigo de Marcos diz que o empresário confidenciava a ele suas traições. Uma funcionária do casal relata que as brigas eram constantes. O reverendo Renè Licht, que celebrou o casamento dos dois, narra que o casal estava em crise e que alertou o executivo sobre o comportamento da ré. "A primeira coisa que você vai fazer é traçar o cofre das armas", disse a Marcos. "Você usa o alicate e quebra a chave dentro."

Os advogados de Elize lerem um laudo psicossocial, originalmente feito para o processo sobre a guarda da filha do casal, em que a ré afirma sentir saudade da menina e diz estar arrependida do crime. Segundo o laudo, o crime não foi motivado por surto. Foi lido, ainda, documento que mostra o bom comportamento de Elize na cadeia. Ela está presa no Tremembé, no interior.

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