No RS, reféns tiveram de andar horas pela mata em silêncio

Operação especial foi montada em estradas na busca dos criminosos; assalto a fábrica acabou com 3 bandidos mortos

ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

01 Janeiro 2013 | 02h02

Os nove reféns da quadrilha que explodiu anteontem uma fábrica de joias em Cotiporã, no Rio Grande do Sul, foram forçados a andar pela mata em silêncio até que os criminosos resolvessem que era seguro para eles fugirem, segundo depoimento de uma das vítimas. Na tarde de anteontem, os sequestrados conseguiram caminhar até uma estrada, de onde foram levados, mal vestidos, com sede e fome, para o salão de um Centro de Tradições Gaúchas de Cotiporã.

Até o fim da tarde de ontem, no entanto, a Brigada Militar do Rio Grande do Sul ainda procurava os assaltantes. Uma operação com 80 homens dos Batalhões de Operações Especiais de Porto Alegre e de Passo Fundo vigiam as estradas e cercam uma área de mata na localidade de Morro do Céu. Os policiais tentam isolar e prender pelo menos dois dos integrantes da quadrilha.

Uma das sequestradas, Franciele Buratti, de 24 anos, contou em entrevista à Rádio Gaúcha, que sua família estava dormindo no sítio onde moram quando foram abordados pelos assaltantes, que já traziam dois reféns. Das oito pessoas que estavam em casa, sete foram levadas como refém, entre as quais uma criança de 11 anos, e uma conseguiu se esconder embaixo de uma cama. "Eles pediam para ficarmos calmos, não fazer movimentos e não olhar para eles."

Os bandidos não agrediram ninguém, mas exigiram silêncio durante o sequestro, para não chamar a atenção da polícia. Durante a tarde, eles se afastaram sem dizer nada. Os reféns esperaram até ter certeza de que os assaltantes não estavam mais perto e então procuraram um caminho para fora da mata. Depois de uma hora e meia de caminhada, encontraram os policiais que começavam a rondar a região.

Crime. O assalto à fábrica Guindani aterrorizou Cotiporã, município com 4 mil habitantes, na madrugada de anteontem. Na fuga, os criminosos levaram sete reféns. Cinco foram libertados quando a polícia os interceptou na estrada. No tiroteio, três assaltantes morreram, entre eles Elisandro Rodrigo Falcão, de 31 anos, procurado número um da polícia gaúcha. Depois, dois ladrões invadiram o sítio e levaram a família casa de uma família Buratti.

A Brigada Militar acredita que pelo menos dois bandidos permaneceram escondidos na mata.

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