Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE

No Rio, presépios vão da feira ao morro

Artistas dão sua interpretação pessoal à tradicional cena do nascimento de Jesus

Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2010 | 00h00

Em um presépio bem diferente dos tradicionais, o nascimento do menino Jesus é animado pelo samba do Morro da Mangueira e acompanhado por baianas no lugar dos três reis magos. Em outro cenário, Maria e José vestem trajes modernos para apresentar o recém-nascido no meio de uma feira livre, entre frutas, legumes e verduras.

Trinta obras de arte que representam de maneiras diferentes um dos símbolos do Natal foram espalhadas por praças e calçadas do Rio, em um dos maiores festivais de presépios em tamanho natural do mundo.

"Reunimos a nata das artes plásticas e artistas populares. Cada um pôde dar sua interpretação ao presépio tradicional", diz Tania Buslik, uma das diretoras do Festival de Presépios.

As figurinistas Fátima Leo e Elze Maria Barroso foram as responsáveis pela transferência da manjedoura em que Jesus nasceu para uma feira livre. Na obra exposta no Jardim de Alah, na zona sul do Rio, os personagens são representados por manequins encontrados em ferros-velhos e o recém-nascido é exposto em uma cesta, ao lado de abacaxis feitos de papel.

"Usamos cortinas velhas, lonas de caminhão e tudo o que encontramos pela frente", conta Fátima.

Muitos artistas apostaram em figuras mais tradicionais, imponentes, trabalhadas em detalhes. Os resultados são presépios realistas - como as imagens com quase três metros que compõem uma das obras - ou estilizados, formados por peças de alumínio ou pedra-sabão.

Os projetos mais inusitados chamam a atenção dos curiosos, mas também dividem opiniões. Uma das peças representa o nascimento de Jesus em um barraco na Favela da Mangueira, coberto com uma bandeira com as cores da escola de samba, e cercado por baianas, músicos e cães vira-latas.

"Acho interessante que cada presépio tenha uma característica diferente, mas alguns ficam exagerados e descaracterizam a cena original", avalia a dona de casa Fátima Azevedo. "Algumas obras foram corajosas e expõem as diferentes visões dos artistas e da cultura brasileira", opina a professora Sonia Noronha.

Até o fim do evento, no dia 6 de janeiro, o público vai eleger o presépio mais bonito em uma votação pela internet. O vencedor receberá R$ 50 mil. Nos próximos dias, seis obras ainda serão levadas a favelas da cidade, incluindo o Complexo do Alemão.

SERVIÇO

Mapa dos presépíos do Rio:www.festivaldepresepios.com.br

Até 6 de janeiro 

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