No Rio, PMs afastados por liberar 'rachadores'

Motorista em alta velocidade matou em túnel interditado o músico Rafael Mascarenhas

Pedro Dantas / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

Luto. Cissa Guimarães deixa o velório do filho no Memorial do Carmo, na zona norte do Rio        

 

 

A Polícia Militar do Rio afastou ontem os dois policiais do 23.º Batalhão (Leblon) que liberaram Rafael de Souza Bussamra, de 25 anos. Ele atropelou e matou, em um suposto racha na madrugada de segunda-feira, o músico Rafael Mascarenhas, de 18 anos, filho da atriz Cissa Guimarães e do saxofonista Raul Mascarenhas, no túnel Zuzu Angel, em São Conrado, zona sul da cidade. A pista onde a vítima andava de skate estava interditada ao trânsito para manutenção.

Imagens entregues à polícia pela Companhia de Engenharia de Tráfego mostram que os PMs chamados por um dos motoristas abordam os dois veículos a menos de 200 metros do acidente, mas não levam os rapazes para a 15.ª Delegacia de Polícia, na Gávea. Em um carro, estavam Bussamra e o amigo identificado apenas como André, que ainda não prestou depoimento. No outro veículo, um Honda Civic, estavam Gustavo Miraldes Bulos e Gabriel de Souza Ribeiro, ambos de 19 anos. Eles foram para casa e se apresentaram apenas no fim da tarde do dia do acidente.

Ontem pela manhã, a PM divulgou nota em defesa dos policiais, que não teriam sido avisados do acidente nem identificado avarias no veículo por causa da baixa luminosidade. O Siena Preto do atropelador, periciado ontem, está com o capô amassado do lado esquerdo, sem a lanterna, com parte do vidro dianteiro quebrado e o para-choque do carro pendurado. O laudo deve ser concluído até quarta-feira.

Depoimentos. Bussamra declarou ter relatado o acidente aos PMs e ter sido orientado a registrar a ocorrência sozinho. Horas depois do depoimento, a PM divulgou outra nota anunciando que apuraria o caso "com rigor".

O jovem também contou que ia para casa, na Barra da Tijuca, zona oeste, e era seguido pelo carro de dois colegas. Segundo ele, depois de entrar no túnel, decidiram voltar à zona sul para um lanche no Leblon e pegaram o retorno irregular. O motorista afirma que a vítima andava de skate no acostamento, mas fez uma manobra brusca e não houve tempo para desviar.

"O ideal em qualquer crime é a perícia do local. A posição do veículo e as marcas do pneu poderiam determinar a velocidade do carro e se houve racha", admitiu a delegada titular da 15.ª DP, Bárbara Lomba, que pode chamar os PMs par a depor. Segundo ela, a conduta dos policiais será apurada pela Corregedoria da PM.

Ontem, os investigadores realizaram diligências para descobrir se os motoristas ingeriram álcool em algum bar da zona sul, se as placas de interdição estavam em local visível e buscaram novos indícios sobre a velocidade dos carros.

Velório. Ontem, no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, zona norte, o irmão mais velho do músico, Thomaz Velho, criticou a falta de sinalização e câmeras na galeria do túnel. A mãe, a atriz Cissa Guimarães, chegou ao velório por volta das 11h15 e não falou com a imprensa. O pai do rapaz, o saxofonista Raul Mascarenhas, estava na Europa fazendo shows e perdeu a conexão. A família aguarda a chegada dele para decidir se Rafael será enterrado ou cremado. / COLABOROU TALITA FIGUEIREDO

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