No Rio, homem mantém motorista e mulher reféns em ônibus por 2h

Sequestrador libertou vítimas após negociação com o Bope; jovem de 18 anos ficou com tesoura apontada para pescoço

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2014 | 02h14

Um ônibus foi sequestrado com dois reféns por duas horas e meia no fim da tarde de ontem na Avenida Brasil, zona norte do Rio. Paulo Roberto Ferreira da Silva, de 33 anos, se entregou após negociar a libertação dos reféns com policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Durante a ação, ele manteve uma tesoura apontada para o pescoço de Rafaela Lobo, de 18 anos.

Após o sequestro, Silva, que já tem cinco passagens pela polícia, foi levado para a 39.ª Delegacia de Polícia (Pavuna), onde ficará preso. Prestaram depoimento o motorista e a jovem.

A ação teve início por volta das 17h, quando Silva entrou no veículo e ordenou que o motorista o parasse. Os passageiros, então, desceram. Com a aproximação de um carro da polícia, ele teria feito a jovem refém.

Impedido de deixar o coletivo, o motorista acabou por auxiliar os negociadores a acalmar o sequestrador.

Silva é usuário de crack e, segundo a Polícia Militar, estava transtornado e possivelmente sob efeito da droga. Ele obrigou o motorista a atravessar o veículo na pista, na altura do bairro de Guadalupe. Cerca de 15 passageiros estavam no ônibus e ninguém ficou ferido. O coletivo fazia a linha 723 (Mariópolis-Cascadura).

Em alguns momentos de tensão, policiais do Bope se aproximaram e ameaçaram invadir o ônibus. O sequestrador exigia a presença de seus familiares, que seriam moradores do Morro do Chapadão. Os pais de Rafaela também acompanharam as negociações.

Ônibus 174. Em ação semelhante, o sequestro do ônibus 174, em 2000, terminou de forma trágica no Jardim Botânico, na zona sul, e marcou a memória dos cariocas. Uma refém, a professora Geisa Firmo, de 20 anos, foi morta por um disparo de um policial do Bope que mirava o criminoso.

Pouco depois, dentro da viatura da polícia, o sequestrador Sandro do Nascimento, de 21 anos, também foi morto por asfixia. O criminoso era um dos moradores de rua sobreviventes da chacina da Candelária, em 1993. O sequestro durou quase sete horas e foi transmitido ao vivo em rede nacional. O caso ganhou repercussão internacional e virou documentário do diretor José Padilha.

Em 2006 e 2011, outros dois casos também abalaram o Rio. No primeiro, um vigilante desempregado manteve a ex-mulher e 50 passageiros reféns por mais de dez horas.

No caso de 2011, cinco pessoas foram baleadas durante a operação de resgate. Três assaltantes mantiveram 20 passageiros reféns e tentaram fugir em um carro roubado, mas foram interceptados pela polícia. / COLABOROU CLARISSA THOMÉ

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