No Rio, Gonzagão rende 3º título à Unidos da Tijuca

Escola do Borel foi a que mais gastou no carnaval: R$ 10 milhões; famoso pelo estilo hi-tech, Paulo Barros vence com bonecos de barro

RIO, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2012 | 03h02

Com um enredo em homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga, a Unidos da Tijuca superou as favoritas e conquistou pela terceira vez o título do carnaval carioca. A agremiação do Morro do Borel, zona norte do Rio, foi a que mais gastou neste ano - cerca de R$ 10 milhões -, somou 299,9 pontos e deixou para trás, pela ordem, Salgueiro, Vila Isabel, Beija-Flor, Grande Rio e Portela. As seis voltam à Sapucaí depois de amanhã, para o desfile das campeãs.

Os jurados foram implacáveis com a Renascer, estreante no Grupo Especial, que mostrou estar aquém da elite, e com a Porto da Pedra, do bizarro enredo do iogurte. Ambas foram rebaixadas. A São Clemente, que fez um desfile surpreendente e acabou em 11.º lugar, festejou como se fosse a campeã.

A Unidos da Tijuca é uma das escolas mais tradicionais do Rio. Ganhou seu primeiro campeonato em 1936. Amargou um hiato de 74 anos sem títulos, até nova vitória, em 2010, já sob a coordenação do carnavalesco Paulo Barros. Se seu enredo era tradicional, seu desenvolvimento, não.

Barros imaginou a coroação do "Rei Luiz do Sertão", para a qual foram convidados Xuxa, Pelé e outros "monarcas". Todos embarcaram em uma "viagem arretada" pelo Nordeste que consagrou Gonzagão. Os destaques foram os carros que representavam os bonecos de Mestre Vitalino, perfeito até no cheiro de barro, e o da "Asa Branca", em que pássaros-humanos faziam um voo de movimentos perfeitos.

A Tijuca chegou quase desacreditada à avenida: tudo porque Barros é conhecido pelos enredos abstratos - foi campeão em 2010 com o desfile É Segredo!, arrebatador - e não teria ficado satisfeito em falar de Gonzagão.

Ontem, ele não acompanhou a apuração no sambódromo, mas era esperado na quadra da escola, onde 10 mil pessoas já se aglomeravam no final da tarde. "Foi bom para o Paulo, porque ele é conhecido como o 'carnavalesco hi-tech', e mostrou que pode fazer qualquer coisa", celebrou o presidente, Fernando Horta. "Eu sempre aceitei o que ele quis. Agora, ele teve de fazer o que eu queria."

Por superstição, a festa só foi organizada após a confirmação do título. "Estão chegando 2 mil caixas de bebida, entre refrigerantes e cerveja, para distribuir aos torcedores. Estávamos confiantes, mas, por uma superstição da escola, não preparamos a festa. Preferimos esperar até a última hora", contou Fernando Leal, diretor de quadra.

A dançarina Gracyanne Barbosa, que estreou neste ano como rainha da bateria da Tijuca em substituição à apresentadora Adriane Galisteu, postou mensagem de agradecimento no Twitter: "Tijuca campeã, parabéns a toda a comunidade tijucana, Luiz Gonzaga merecido o título, muito emocionada", escreveu.

Muito badalada por causa de uma inovação da bateria, que fez prolongadas paradinhas, a Mangueira chegou em 7.º lugar e nem sequer vai participar da festa de sábado. A bateria conseguiu três notas 10, mas a escola perdeu pontos em oito dos dez quesitos.

A diretoria da Verde e Rosa estava tão confiante que puxou o samba-enredo antes mesmo da leitura das notas. Calou-se já no primeiro quesito, mestre-sala e porta-bandeira, em que levou 9,6, 9,7 e 9,9. "Seria ótimo se o campeonato coroasse a ousadia", lamentou o presidente, Ivo Meirelles, que ganhou um presente de grego em seu aniversário de 50 anos: pela primeira vez desde 2008, a escola não volta a desfilar no sábado.

Brincadeira. A apuração das notas dos 40 julgadores foi tranquila e durou 1h50. Brincando, Farid Abrão David, ex-presidente da Beija-Flor, gritava para o locutor, a cada perda de décimos: "Vou aí rasgar as notas!" / ALEXANDRE RODRIGUES, CLARISSA THOMÉ, FÁBIO GRELLET, LUCIANA NUNES LEAL, ROBERTA PENNAFORT e SÍLVIO BARSETTI

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