No Rio, garoto é morto por entrar em morro rival

Adolescente foi chicoteado após dizer em área do Comando Vermelho que vivia em favela de facção rival

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2010 | 00h00

RIO

Desaparecido desde sexta-feira após ter sido agredido por ao menos dois homens em um dos acessos do Morro do Urubu, em Pilares, zona norte do Rio, um adolescente de 13 anos foi encontrado morto ontem, em Tomás Coelho, também na zona norte. A polícia investiga se o crime foi cometido por traficantes. O único suspeito, reconhecido por um amigo da vítima, foi liberado.

De acordo com o pai do garoto, o açougueiro Edwilson Reis Porto, de 33 anos, depois de saber que não teria aula, Emerson Ferreira Pontes pegou um ônibus em direção a um shopping acompanhado por sete colegas. Nas proximidades do Morro do Urubu, Emerson e o colega X., de 9 anos, viram um cavalo. Os dois saltaram do ônibus e resolveram montar o animal, quando foram flagrados e repreendidos por dois homens. Eles perguntam onde os meninos moravam. Ao saber que eram da Favela do Jacarezinho, dominada por traficantes da facção Comando Vermelho, os homens bateram com chicote nos dois, alegando que o Urubu era dominado pela rival Amigos dos Amigos (ADA).

Pernas quebradas. X. levou chicotadas no rosto e foi liberado pelos criminosos. Em depoimento à polícia, ele disse que, antes de correr, viu um dos homens quebrar as duas pernas de Emerson com golpes de porrete. Ao notar que o filho não estava em casa, o pai começou a procurá-lo. No início da noite, encontrou X., que contou o ocorrido. A família foi prestar queixa na 25.ª DP. Em diligência, os agentes prenderam Paulo Henrique Ferreira, de 22 anos. Ele foi reconhecido por X. como o homem que agrediu Emerson. O acusado foi autuado por lesão corporal, mas apontou como o espancador um homem que seria dono dos cavalos.

Quando os pais voltaram ao DP, no sábado, o suspeito havia sido liberado. "Não cabe prisão em caso de lesão corporal. Por isso, ele foi liberado", disse o delegado Carlos Henrique Machado. Ontem, um telefonema revelou a localização do corpo. "O menino estava deformado", disse a tia, Eliane Quelis, de 51 anos.

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