No Rio, fogo destrói pousada do AfroReggae e suspeito é preso

No prédio também funcionava a redação de um jornal local; rapaz que teve 30% do corpo queimado foi detido

MARCELO GOMES / RIO, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2013 | 02h05

Um incêndio destruiu ontem o imóvel de três andares onde funcionaria uma pousada do Grupo Cultural AfroReggae, na Favela da Grota, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio. No mesmo prédio também funcionava a redação do jornal Voz da Comunidade, que ganhou notoriedade ao transmitir em tempo real, por meio de redes sociais, a ocupação do Complexo do Alemão em novembro de 2010. Um acusado pelo incêndio foi preso em flagrante.

O coordenador do AfroReggae, José Júnior, acusou o pastor Marcos Pereira da Silva de estar por trás do incêndio. No local seria inaugurado, em 5 de agosto, um alojamento da ONG para receber universitários de outras regiões do País que vão participar de um programa de intercâmbio social na favela. Até 9 de agosto, a "pousada" receberia 30 universitários para um projeto-piloto.

Pereira, líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, está preso desde 7 de maio, acusado de estuprar duas fiéis. Ele é investigado por homicídios e ligação com traficantes. Antigos aliados, Júnior e o pastor romperam em fevereiro de 2012, após o ativista acusar o religioso de envolvimento com o tráfico.

"Eu e o AfroReggae passamos a ter problemas desde que acusei o pastor. As constantes ameaças contra alguns membros, o ataque à UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) Vila Cruzeiro antes da corrida Desafio da Paz, em maio, e agora esse incêndio. Nada disso é coincidência. Não tenho a menor dúvida de que, se aparecer droga em alguma unidade do AfroReggae ou se algum integrante for morto, é coisa do crime organizado, do qual o pastor faz parte", disse Júnior, antes de depor na 22.ª Delegacia de Polícia (Penha).

O advogado de Marcos Pereira, Marcelo Patrício, disse que as afirmações dele não têm nenhum fundamento. "Somente na semana passada o pastor passou a receber a visita da filha e da irmã. Até então, ele só recebia advogados. O pastor não tem o dom da telepatia e é impossível que tenha orquestrado o incêndio", disse.

Ferido e preso. A Polícia Civil anunciou ontem à noite que prendeu em flagrante Wagner Moraes da Silva, de 20 anos. Ele teve 30% do corpo queimado no incêndio e foi resgatado no local por bombeiros. Seu estado de saúde é estável. Informalmente, alegou a policiais da 22.ª DP que entrou no imóvel por um vitrô basculante para apagar o incêndio.

A polícia desconfia da versão. "Funcionários do AfroReggae dizem que não o conhecem. Moradores dizem que ele não é de lá. E encontramos do lado de fora do imóvel televisão, cafeteira e outros objetos furtados do jornal. Também havia uma lata de combustível. Por isso achamos que o incêndio foi criminoso e o rapaz ferido é o principal suspeito", disse o delegado Reginaldo Guilherme, que apurar a denúncia de Júnior.

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