No Rio, festas juninas têm de funk a Chanel

Arraiais alternativos cariocas fogem da tradicional dança de quadrilha e abraçam até luxo e música eletrônica

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2010 | 00h00

Esqueça o vestido improvisado e a gravata de lenço presa com caixinha de fósforo. O convite da "Primeira Festa Junina de Luxo", promovida pelo carioca Bruno Chateaubriand no próximo dia 18, pede: "Coloque o seu Chanel, Valentino ou até Louis Vuitton e alguns remendos!" São 300 os convidados. Entre eles, socialites e artistas, que vão tomar champanhe e descansar as pernas em lounges. "Chão de terra batida? Não, pelo amor de Deus, meu piso é de mármore!", diz Bruno, que receberá em uma casa de festas ao lado do marido, o empresário André Ramos.

A festa "é uma brincadeira com essa história do que é original e o que é fake", garante Bruno, que não espera que seus amigos rasguem, de fato, roupas de grife para forjar um traje caipira. A iniciativa não é isolada. Uma série de festas programadas para os meses de junho e julho foge do fogueira-pescaria-quadrilha.

O Arraiá da Gênesis Folia, dia 4 de julho, no Olimpo, trará o grupo baiano Chiclete com Banana e as funkeiras da Gaiola das Popozudas. Na festa da cervejaria Devassa, dia 18, no Jockey Club, estará o bloco de carnaval Sapucapeto, com repertório de samba, pagode, bossa nova, MPB e axé. A festa open bar também vai tocar música eletrônica e funk.

No Arraial do Morro da Urca, o show do Monobloco, sucesso do carnaval carioca, custou R$ 90. Pedro Luís, cantor do grupo, não tira a razão dos que preferem festas ao som de Olha pro Céu, Pedro Antônio e João e Pula a Fogueira. "É superinteressante que tenha essa radicalidade, porque leva as tradições para frente." O Monobloco até toca os clássicos juninos, mas "no ritmo do funk carioca".

Para o maranhense Carlos Botelho, diretor cultural da Feira de São Cristovão, principal reduto de nordestinos do Rio, a ideia de destronar Luiz Gonzaga é absurda. "E as roupas da quadrilha têm de ser tradicionais." No ano passado, a Festa de São João atraiu 1 milhão de pessoas em dois meses.

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