No Rio, depredação causa R$ 2 mi de prejuízo

Quatro prédios históricos do centro da cidade foram danificados e sofreram pichações

Sérgio Torres, Heloísa Aruth Sturm, Roberta Pennafort, Luciana Nunes Leal, Felipe Werneck, Marcelo Gomes / Rio, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2013 | 02h06

As fachadas de prédios históricos do centro do Rio pichadas pelo grupo de manifestantes que encurralou 72 PMs no edifício da Assembleia Legislativa (Alerj) amanheceram ontem com "Fora Cabral" e outras inscrições de protesto. Após a fúria de anteontem, o cenário na região era de guerra civil, com destruição por todos os lados. Ontem não houve manifestação.

Quatro importantes prédios do centro histórico foram danificados. Datado de 1926, o Palácio Tiradentes, sede da Alerj, teve vitrais franceses, afrescos da fachada e mobiliário original quebrados, com prejuízo calculado em até R$ 2 milhões. Um terço de todos os vitrais do palácio foi destruído por pedras portuguesas e cocos lançados pela multidão. A sala da liderança do PMDB, que fica colada à entrada, foi parcialmente incendiada e computadores acabaram quebrados. Mesas e cadeiras foram jogadas pela janela.

Vizinhos da Alerj, o Paço Imperial (usado por D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II), a Igreja de São José (do início do século 19) e o Convento do Carmo (do século 18) foram bastante pichados. Os quatro monumentos são tombados. As pichações começaram a ser apagadas de madrugada.

Praticamente todos os restaurantes, lojas, bares, farmácias e bancos nas Ruas da Assembleia e São José foram depredados e saqueados. A tomada da Alerj foi comemorada com uma grande fogueira, que abriu uma cratera na Avenida 1.º de Março. A via foi recapeada ontem.

Voluntários ajudaram na limpeza, em ação marcada pela internet, chamada de "DesOccupy Alerj".

Depois de anunciar anteontem que estava aberto ao diálogo com os manifestantes, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) decidiu ontem convidá-los para uma reunião e ouvir os argumentos dos estudantes que cobram redução no preço da passagem de ônibus.

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), cancelou ontem o único compromisso de sua agenda. Falou apenas à TV Globo, sem mencionar a invasão do prédio da Assembleia Legislativa nem a ação da polícia. Limitou-se a elogiar os manifestantes pacíficos.

"É uma juventude desejosa de participar, isso é muito bonito. A crítica é absolutamente natural e democrática", afirmou.

Uso do fuzil. O porta-voz da Polícia Militar do Rio, coronel Frederico Caldas, disse, na tarde de ontem, que a corporação vai fazer um "estudo de caso" para apurar o emprego de armas letais, como fuzis e pistolas, por policiais militares nos atos de vandalismo nos arredores da Alerj. Imagens divulgadas pela imprensa mostram policiais efetuando disparos para o alto. O grupo que invadiu a Alerj, com cerca de 300 pessoas, se separou dos 100 mil que percorreram a Avenida Rio Branco pacificamente no trecho entre a Igreja da Candelária e a Cinelândia, na noite de segunda.

Três das 13 pessoas feridas durante a manifestação permanecem no Hospital Souza Aguiar, informou a secretaria municipal de Saúde. Pelo menos três foram feridas por tiros de armas de fogo. "Tecnicamente, o uso de armamento letal não é adequado em controle de distúrbios. Vamos ver se há conexão entre o policial atirar com o fuzil e seu colega caído, que por pouco não foi linchado. Vamos avaliar em que condições estavam aqueles policiais para usarem o armamento", disse o coronel Caldas

A quantidade de policiais que vai acompanhar a manifestação programada para a amanhã será aumentada.

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