No Rio, atração são as capivaras

Roedores vivem em canal na Barra da Tijuca, ao lado de condomínios de classe média alta

Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2010 | 00h00

A poucos metros de condomínios de um dos bairros cariocas que mais crescem, uma família de oito capivaras pasta sem se incomodar com pedestres e carros. Sem predadores e resistente às mudanças no ambiente, os animais não saem do Canal de Marapendi, na Barra da Tijuca, zona oeste. Os roedores chegaram antes dos edifícios e dos moradores de classe média alta, mas não foram afastados pela urbanização.

"Acho que elas já se habituaram à convivência com os moradores", conta a advogada Lúcia Chermont, que vive há 14 anos em um dos condomínios à beira do canal. "Os organismos vão existir onde houver condições ambientais para isso. Eles estão pouco ligando se existe gente ali", diz o professor Rui Cerqueira, do Departamento de Ecologia da UFRJ. Especialistas alertam, no entanto, que o roedor é hospedeiro do carrapato da febre maculosa, que leva à morte em cerca de 25% dos casos.

Nos seis primeiros meses do ano, os bombeiros receberam 1.964 pedidos de captura de animais silvestres em todo o Estado. Na capital, eles se concentram na zona oeste. Na Via Dutra, as capivaras atravessam a pista e colocam em risco os motoristas no sul do Estado. Entre janeiro e julho, sete animais morreram atropelados.

Para os agricultores, as capivaras também representam prejuízos. Muitos roedores invadem plantações e comem boa parte da produção.

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