No Rio, acidentes fazem 'Ligeirão' ser chamado de 'Caveirão'

Apesar de reduzir em 40% o tempo de percurso entre Santa Cruz e a Barra, BRT teve cinco mortes em quatro meses

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

11 Outubro 2012 | 03h03

Celebrada como solução para a Copa e a Olimpíada, a TransOeste, primeira linha de Bus Rapid Transit (BRT, uma espécie de corredor expresso) do Rio, já chama mais a atenção pelo número de acidentes com vítimas do que por reduzir em 40% o tempo do percurso de aproximadamente 40 km entre Santa Cruz e Barra da Tijuca, dois bairros da zona oeste. Em quatro meses, a via já registrou pelo menos 16 colisões ou atropelamentos, que causaram a morte de cinco pessoas - a última foi anteontem.

Chamado pela prefeitura de Ligeirão, o sistema passou a ser jocosamente tratado pela população como Caveirão, em referência ao veículo blindado usado pela Polícia Militar em operações especiais. Não existem dados exatos sobre os acidentes porque a pista do BRT, embora exclusiva, corre paralelamente àquelas por onde trafegam carros de passeio e as estatísticas oficiais não separam acidentes ocorridos na pista expressa daqueles registrados nas demais pistas, envolvendo veículos particulares. Mas é possível afirmar que a maioria dos acidentes ocorreu no período noturno, entre 17h e 20h, ao longo da Avenida das Américas, na Barra da Tijuca.

Sugestões. A sequência de acidentes levou a prefeitura a criar uma comissão para avaliar medidas capazes de tornar mais seguro o corredor. O grupo vai analisar, entre outras, sugestões propostas pelo Conselho Regional de Arquitetura e Agronomia do Rio (Crea-RJ). "A TransOeste precisa conquistar a confiança dos usuários, operando com segurança", diz Agostinho Guerreiro, presidente do Crea-RJ.

Entre as sugestões estão a instalação de guardrail para separar a pista do BRT e as demais, a instalação de cancelas nos cruzamentos, para evitar que os carros invadam a pista exclusiva, e a colocação de barreiras para evitar que pedestres atravessem a pista fora das faixas.

A prefeitura afirma que já tomou as primeiras medidas para aumentar a segurança: cercas vivas estão sendo plantadas nos canteiros centrais para impedir que pedestres atravessem.

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