No Palácio do Bandeirantes, um segredo de Estado

A abordagem de criminosos a Thomaz Alckmin, filho do governador Geraldo Alckmin (PSDB), e sua filha foi tratada como um segredo de Estado pelo Palácio dos Bandeirantes. Ocorrido anteontem, pouco mais de três meses após a revelação de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) havia "decretado" a morte de Alckmin, o episódio só foi confirmado às 17h de ontem pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). Antes, assessores negaram o caso.

BASTIDOR: Pedro Venceslau, Ricardo Chapola e Bárbara Ferreira Santos, O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2014 | 02h02

Apesar de a SSP e a polícia afirmarem que ainda é cedo para qualificar o crime, no palácio há o temor de que o PCC esteja começando a cumprir a promessa. O modus operandi deixa claro, segundo fontes próximas a Alckmin, que os envolvidos eram profissionais. Assaltos comuns geralmente são feitos de moto e em número menor de pessoas.

No caso de Thomaz, o Hyundai i30, que era conduzido por ele e não era blindado, foi fechado por outro automóvel, que deu um cavalo de pau. Na sequência, quatro bandidos saíram armados. Os seguranças da escolta trocaram tiros com os criminosos, que fugiram. Mais tarde, o carro usado na ação foi localizado e dentro dele havia marca de sangue. A SSP suspeita que pelo menos um dos bandidos tenha ficado ferido.

A ordem de Alckmin foi segurar ao máximo a divulgação do episódio até que fossem reunidas mais evidências. Apesar da ousadia da ação, não está descartada a hipótese de que a quadrilha não soubesse que se tratava do filho do governador. O caso, porém, escancarou a fragilidade da segurança de Alckmin e de sua família.

A segurança do governador reclama da decisão dele de reduzir a frota de blindados como demonstração de austeridade para diminuir o custo da máquina pública. Ninguém da família usa carro à prova de balas. Segundo pessoas próximas, Alckmin tem o hábito de andar no banco da frente e, não raro, com os vidros abertos.

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