No Natal, número de flanelinhas duplica na cidade

Guardadores cobram para estacionar na rua, sobre calçadas e até em lugares proibidos no Parque do Ibirapuera e no Mercadão

CRISTIANE BOMFIM, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2011 | 03h05

Oito da noite. Todas as vagas de estacionamento na Praça Túlio Fontoura, na frente da Árvore de Natal do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, estão ocupadas. Motoristas que chegam para assistir ao espetáculo de luzes na fonte multimídia do parque são abordados por nada menos do que 15 flanelinhas. "R$ 10 para estacionar, queridão. Aproveita que é a última vaga e o show já vai começar", diz um guardador. No entorno do Mercado Municipal, na região central, o preço cobrado para estacionar na rua, sobre calçadas e até em lugares proibidos varia entre R$ 5 e R$ 10.

Por causa das festas de fim de ano e do consequente aumento de visitantes no Parque do Ibirapuera, o número de guardadores de carros quase dobrou. "Normalmente, somos oito. Reforçamos a equipe neste mês em mais sete pessoas para dar conta do serviço", conta um dos flanelinhas, que considera justo o preço cobrado por uma vaga de carro em lugar público. "A gente faz a segurança do local, evita que o carro seja roubado. Estacionamento é muito mais caro."

Durante a noite, na esquina da praça com a Rua Abílio Soares, um policial militar apoiado na viatura faz a segurança da Assembleia Legislativa. A travessia de pedestres e a passagem dos carros na Avenida Pedro Álvares Cabral é monitorada por um agente da Companhia de Engenharia de Tráfego. A presença deles, no entanto, não inibe os flanelinhas.

"É um absurdo. O flanelinha chegou me ameaçando. Disse que eu tinha roubado a vaga dele e que tinha de pagar para parar. Eu disse que pagaria depois e ele não gostou da resposta. E a polícia faz que não vê", reclamou o advogado Wagner Santiago, de 44 anos, que chegou às 20h no Ibirapuera para ver a Árvore de Natal. Para não correr o risco de ser extorquido, o coordenador de marketing Paulo Rogério de Lima, de 29 anos, preferiu deixar o carro em casa, no Tatuapé, na zona leste, e ir ao Ibirapuera de transporte público com a mulher, a filha e a sogra. "Nesta época do ano é impraticável vir para cá de carro", afirma ele. "Além do trânsito, a gente tem de aguentar esses caras querendo tirar vantagem."

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