No maior hospital da Zona da Mata, lama ainda na canela

Farmácia 24 horas. Caixas de remédios estragaram, além de freezers, fogões e macas, que formam montes de lixo do lado de fora, apesar de 2 caçambas de entulho já terem sido retiradas

BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2010 | 00h00

Na beira do Rio Una, o Hospital Regional tem corredores onde a lama bate na canela. Quando as águas da chuva começaram a entrar no equipamento de saúde pública mais importante da Zona da Mata, na madrugada de quinta-feira da semana passada, a equipe de médicos, enfermeiros e funcionários iniciou uma operação de guerra para transferir oito crianças do berçário e mais 50 adultos dos leitos de especialidades.

O trabalho se prolongou por toda a sexta-feira e, no sábado de manhã, o hospital inteiro estava embaixo d"água. A pronta iniciativa da equipe no resgate era uma decorrência das lembranças da enchente de 2000. "Mas a atual foi incomparável. Devemos demorar mais de um mês só para tirar toda a lama (e dez caçambas já foram removidas)", afirma a administradora do centro médico, Valdelena Almeida.

Se a situação de Palmares já é dramática, poucas cenas são tão chocantes como a do Hospital Regional. Equipamentos de raio X, ressonância, eletrocardiogramas e berços para aquecer bebês, a maioria acumulada no 1.º andar, estão repletos de lama. Com 106 leitos, mensalmente o hospital fazia 6 mil consultas de emergência, 5 mil exames laboratoriais e mil consultas especializadas - que ficaram prejudicados. O telhado foi arrancado e as telhas se espalham pelos jardins.

Na sala da Farmácia 24 horas, que fornecia medicamentos aos pacientes, dezenas de caixas de remédios estragaram, além de freezers, fogões, macas, camas, que formam montes de lixo do lado de fora.

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