No litoral norte, até tripulantes de cruzeiros usam rede pública

Em Ilhabela, moradores vão até o centro para ver e-mails; São Sebastião foi a 1ª cidade da região a oferecer conexão gratuita

REGINALDO PUPO, ESPECIAL PARA O ESTADO, ILHABELA, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2012 | 03h03

Sentada em uma mureta no centro de Ilhabela, com o Canal de São Sebastião e um navio ancorado na paisagem, a recepcionista Mônica Zanardo via seus e-mails e as últimas fofocas no Facebook em seu notebook. "Hoje em dia não há como ficar sem internet, seja em casa ou na rua. Temos de estar sempre atualizados."

As cidades de Ilhabela e São Sebastião são pioneiras no litoral norte em oferecer internet sem fio gratuita. A rede Wi-Fi nos dois lados do Canal de São Sebastião é disputada por moradores e turistas, que trazem na bagagem todo tipo de apetrecho hi-tech, principalmente tablets, notebooks e smartphones.

A estudante Cristiane Sammarco, de 24 anos, de Jacareí, no Vale do Paraíba, visita Ilhabela a cada 15 dias. Na bagagem, ela não deixa de levar seu notebook. Como não tem acesso à internet em sua casa de praia, ela corre para a Vila, no centro, para navegar. "Gosto de provocar os amigos da minha cidade mostrando o mar pela webcam", diz. "Mesmo de férias, a gente não pode deixar de acessar a internet, ver e-mails e entrar nas redes sociais. É um vício."

Basta dar uma circulada pela Vila para notar turistas munidos de notebooks espalhados pela avenida da praia e na Rua do Meio, um calçadão que reúne sorveterias, lojinhas de artesanato e barzinhos. Os bancos são ocupados principalmente por adolescentes e seus aparelhos portáteis. O comércio também acaba beneficiado, pois tem acesso gratuito sem a necessidade de adquirir planos de telefonia.

Desembarque. A internet sem fio disponível no centro de Ilhabela ainda é disputada pelos milhares de passageiros e tripulantes de navios de cruzeiro que desembarcam quase diariamente. Como a bordo dos navios a internet é cobrada - e em dólar -, a saída mais econômica é aguardar para descer em terra e usar a rede pública. É comum ver tripulantes de várias nacionalidades conversando com parentes por meio de mensagens instantâneas e Skype.

"Isso é uma mão na roda", resume o engenheiro paulistano Roberto Lucca, um dos passageiros de transatlânticos. "Acessar a internet no navio é caro e eu não sabia que aqui tinha rede Wi-Fi pública. Isso facilita muito para quem precisa conversar com parentes."

O empresário Victor Louveira, de São José do Rio Preto, no interior paulista, deixou o lazer temporariamente de lado para acessar a internet de smartphone, já que não conseguia acessar a rede de sua operadora de telefonia. Louveira procurava informações sobre a Bolsa de Valores de São Paulo e sobre leilões de gado. "Mesmo passeando, e de férias, não podemos desgrudar os olhos do mercado."

Elisama Oliveira, que mora em Ilhabela, é outra usuáriaa do serviço. "Quando a internet não funciona em casa, venho para o centro."

Sentado no píer, o comerciante Leandro Augusto Gomes de Oliveira conversava com seu filho, que mora em Manaus, pelo Skype. "No ano passado estive em Ilhabela e já usava a internet pública. É bom, pois temos como matar saudades dos nossos familiares que não puderam vir com a gente."

Sinal. Em Ilhabela, a prefeitura garante que a internet sem fio, disponível desde 2008, tem velocidade de 3 MB a 5 MB por segundo. Em São Sebastião, a primeira cidade do litoral norte a criar a rede de Wi-Fi, o sistema funciona na região do centro histórico, em uma área de 800 metros de extensão. O projeto poderá ser expandido para as principais praias da cidade, mas ainda não há previsão.

Além dos pontos de distribuição do sinal, a Rua da Praia é vigiada por câmeras de monitoramento, o que oferece maior sensação de segurança aos turistas que carregam laptops e tablets.

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