No Ipiranga, plano é revitalizar Avenida D. Pedro

Área da Operação Urbana Mooca/Vila Carioca é a mais cobiçada pelo mercado, mas tem muitas favelas e áreas contaminadas

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2010 | 00h00

A Operação Urbana Mooca/Vila Carioca prevê a revitalização de uma das mais movimentadas vias da zona sul, a Avenida Dom Pedro I, que leva ao Parque da Independência, no Ipiranga. A área do entorno do parque também deve passar por melhorias, por causa da relevância histórica. O Cambuci - bairro "com nível de degradação elevado", segundo a Prefeitura - deve voltar a ter vocação residencial.

A Prefeitura pretende que os quatro bairros cortados pela operação - Mooca, Pari, Ipiranga e Vila Carioca - sigam o exemplo da Lapa, na zona oeste, e deixem de lado o caráter industrial para se transformarem em áreas residenciais. A administração municipal incentiva transferência das indústrias que ocuparem terrenos com área superior a 2,5 mil metros quadrados para a zona leste, especialmente no perímetro da Operação Urbana Rio Verde/Jacu, em Itaquera e bairros vizinhos, segundo consta dos termos de referência da operação.

Também está prevista a criação de um parque na Mooca, região historicamente prejudicada pela falta de áreas verdes, que serviria como "âncora para revitalização da área".

Na região da operação, segundo estudo elaborado pelo Sindicato da Habitação (Secovi-SP) e por arquitetos e engenheiros associados, a Prefeitura conseguiria arrecadar cerca de R$ 1,5 bilhão com a venda de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos do governo que devem ser reinvestidos em melhorias urbanas.

Mercado. Com área estimada em 16 milhões de metros quadrados - grande parte ocupada por galpões abandonados ou de baixa produtividade -, a Operação Urbana Mooca/Vila Carioca é a que mais desperta a cobiça do mercado imobiliário. Haveria espaço, segundo o Secovi-SP, para construção de pelo menos mil novos empreendimentos. Somente na Mooca, os 19 lotes ocupam cerca de 300 mil metros quadrados, suficiente para construção de 40 prédios de 17 andares, além de um parque de 30 mil metros quadrados.

Alguns entraves, porém, devem preocupar possíveis interessados em investir nos quatro bairros dentro de seu perímetro - há áreas degradadas, com índice de favelização alto em relação a outras operações urbanas, além de 19 grandes terrenos contaminados, alguns deles sem prazo para descontaminação.

No total, cerca de 12 mil pessoas vivem em área de favelas apenas nos arredores da Avenida Presidente Wilson, que começa no limite com São Caetano do Sul e vai até a Mooca, na zona leste - exatamente a área da operação. Na região, galpões abandonados viram cortiços - numa travessa da Presidente Wilson, há pelo menos dois, onde vivem cerca de 600 famílias. "Os galpões foram ficando abandonados e virou tudo cortiço. Agora, não há nada que os faça sair daí", disse a auxiliar de enfermagem Luciana Moreira, de 47 anos, moradora da Vila Carioca desde 1976. "À noite, é melhor não sair de casa. É tudo deserto e o risco de topar com assaltante ou usuário de droga é alto."

O número de terrenos contaminados na área da operação, principalmente por benzeno, também prejudica a possível recuperação do local.

PARA ENTENDER

Operação Urbana é uma ferramenta prevista no Plano Diretor da capital paulista, que foi aprovado em 2002. Ela dá ao incorporador a possibilidade de construir além dos limites atualmente impostos pela legislação.

Para poder construir até quatro vezes o potencial de uma área, os empreendedores precisam adquirir os Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos que rendem recursos antecipados ao governo municipal. Essas verbas são posteriormente investidas em melhorias na região. O trâmite burocrático demora cerca de 1 ano e meio.

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