No interior paulista, chácaras e fazendas sofrem onda de assalto

Polícia acredita na ação de grupos especializados, sobretudo na região rural de Franca; nem pesque-pague escapa de ladrões

RENE MOREIRA , ESPECIAL PARA O ESTADO , FRANCA, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2012 | 03h02

Moradores da zona rural e das chamadas áreas de expansão urbana nunca estiveram tão aterrorizados quanto agora em cidades da região de Franca, no nordeste de São Paulo. A ação de quadrilhas em chácaras, sítios e fazendas tem se tornado cada vez mais comum e violenta, traumatizando as vítimas.

Patrocínio Paulista é uma das cidades que sofrem com a violência na zona rural - nesta semana, bandidos levaram veículo, eletrônicos, joias, equipamentos e R$ 8,5 mil. A polícia ainda não tem pistas e acredita na ação de quadrilha especializada. Casos parecidos já foram registrados em cidades próximas, como Franca, Restinga, Cristais Paulista, São José da Bela Vista, Pedregulho, Itirapuã, Ribeirão Corrente, entre outras. A Polícia Militar conta com a Patrulha Rural, mas informa ser impossível estar em todos os lugares ao mesmo tempo. A Polícia Civil não dispõe de uma estatística específica para essas ações, que acabam classificadas no meio dos roubos. Mas um levantamento nas delegacias aponta mais de 20 ataques na zona rural nos últimos seis meses. Só nesta semana já foram três ocorrências do tipo.

Em Franca, bandidos armados com espingardas renderam um empresário de 79 anos que saía de sua chácara e dois funcionários do local. Após agredirem as vítimas a coronhadas e roubarem dois cofres, fugiram na Parati do empresário. Anteontem, um dia depois do ocorrido, o carro foi encontrado incendiado. Perto dele, os cofres estavam abertos. Dias antes, também em Franca, quatro bandidos armados e encapuzados amarraram moradores de uma chácara e levaram R$ 2,6 mil em dinheiro, além de notebook e joias avaliadas em R$ 20 mil. Já em outra chácara, revoltados com a "pobreza" do morador, bandidos disparam vários tiros dentro do imóvel.

O interesse das quadrilhas, entretanto, varia de acordo com os ataques. Em Cristais Paulista, ladrões roubaram R$ 120 mil em agrotóxicos de uma fazenda; de uma propriedade em São José da Bela Vista, o produto do roubo foram animais avaliados em R$ 11 mil. Em Restinga, a situação foi ainda mais grave, pois dez pessoas -incluindo mulheres e crianças - foram feitas reféns em uma fazenda por quatro homens armados. Eles pegaram os dois carros do local, um Ecosport e um Fiat Strada, e encheram com notebooks, joias, impressoras, câmeras digitais, TVs e dois revólveres. Depois fugiram, após uma sessão de ameaças e tortura psicológica.

Segundo o delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Franca, Daniel Radaelli, que atende também municípios próximos, alguns assaltantes já foram presos e outros tiveram prisão decretada. Para ele, bandidos aproveitam algumas facilidades nessas áreas, como distância das zonas urbanas onde há postos policiais e rápido acesso a estradas e rodovias.

Na tarde do dia 16, cinco assaltantes foram presos pela DIG sob a acusação de envolvimento em vários roubos na zona rural da região. Eles mantinham um sítio em Minas para onde levavam objetos de assalto. Até o fim da tarde, um deles já havia confessado participação em pelo menos um assalto e os demais ainda seriam ouvidos. Para a polícia, eles podem estar ligados a ataques contra propriedades rurais e estabelecimentos da área - só neste ano foram roubados dois pesque-pague, uma boate e dois bares, todos fora do perímetro urbano.

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