No Ibirapuera, só metade dos vigias

Reportagem também flagrou os Parques Trianon e Anhanguera sem nenhum segurança; usuários reclamam de furtos e abandono

O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2011 | 03h05

Com cerca de 260 mil visitantes por semana, o Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital, está apenas com metade dos vigilantes que deveriam circular por seus 1,4 milhão de metros quadrados de área verde. Dos 55 seguranças da GSV - empresa terceirizada responsável pela segurança do local -, 28 estão trabalhando. E seus contratos valem só até quinta-feira.

Como a Prefeitura ainda não definiu uma nova empresa para prestar o serviço, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) deve fazer, a partir do próximo fim de semana, a segurança provisória dos prédios que funcionam dentro do parque, como o do Museu de Arte Moderna (MAM), do Museu Afro Brasil, da Bienal, da administração e dos arredores dos lagos.

Na tarde de ontem, até as guaritas das entradas da Avenida República do Líbano e do estacionamento principal estavam vazias. E os poucos seguranças da GSV que restaram no local reclamavam da falta de pagamento e até de bicicletas para fazer ronda. "Nossa empresa quebrou. Quem sobrou está de aviso prévio até o dia 27. E estamos sem bicicleta", contou um vigia que fazia sozinho a segurança do local, onde cabem 400 veículos.

O Ibirapuera é o único parque público da cidade que fica aberto até a meia-noite. Na noite de anteontem, um grupo de amigos que jogava basquete na área de quadras poliesportivas, ao lado da pista de cooper, reclamava da falta de guardas no local. "A gente tem de ficar de olho nos objetos pessoais o tempo todo", disse o gerente de tecnologia Luis Kwong, de 40 anos, que frequenta o local há dez anos. Ele relatou furtos corriqueiros na área das quadras. "É comum levarem mochilas: a pessoa encosta, finge que olha o jogo e, em uma distração nossa, vai embora com ela", contou.

A advogada Lidiane de França, de 33 anos, que andava de patins no parque, também considera o policiamento insuficiente. "Vigias não circulam como deveriam. Eles ficam mais parados nos postos do que circulando pela área", contou a frequentadora, que vai ao Ibirapuera três vezes por semana, sempre à noite.

Escuridão. Na mesma noite, a reportagem percorreu os 3 mil metros da pista principal de corrida do parque. E encontrou apenas um vigia no trajeto. O espaço do estacionamento, do lado do MAM, que fica escuro, estava sem ninguém na guarita às 23h15. "Já ouvi muita história de carros arrombados por aqui", disse o designer e skatista Paulo Henrique Storch, de 25 anos.

A insegurança não é só no Ibirapuera. Única área verde no maior centro financeiro do País, o Parque Trianon, na Avenida Paulista, região central, não tem mais nenhum vigilante da GSV. Estudantes, engravatados e até travestis que frequentam o local relatam a falta de segurança. "Já tive de ajudar a separar uma briga de estudantes aqui porque não tinha vigia", conta o travesti Patrícia Leoa, de 27 anos.

No maior parque da cidade, o Anhanguera, em Perus, na zona norte, apenas um funcionário da Prefeitura fazia ontem a ronda de uma área 6,5 vezes maior que a do Ibirapuera. / DIEGO ZANCHETTA, RODRIGO BURGARELLI E DENIZE GUEDES

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.