‘No hospital não me atenderam. Quebrei tudo’

"Eu sempre tive raiva. Conheço os morros e favelas e a forma como a polícia trata quem vem de lá. É o meu caso. Mas eu sempre fui meio doido. Sou daqueles que mandam o policial tirar o dedo da minha cara, baixar a voz para falar comigo. Mesmo antes de conhecer os black blocs, eu já fazia ação direta. Uma vez, fui a um hospital público para ser atendido. Demorou e nada. Quebrei tudo, porque fiquei com ódio", explica um dos entrevistados, numa escadaria atrás do Masp.

O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 02h03

Ele afirma que o ódio é o sentimento em comum dos cerca de 70 que estão mais presentes na rua. A tática dos mascarados causa repulsa na maioria dos paulistanos. A falta de popularidade fica evidente se comparado aos eventos de junho do MPL. Um dos entrevistados defende agir estrategicamente e desdenha o apoio popular. "Não precisamos ser compreendidos agora. Pode ser depois. Por isso a violência tem de ser focada. Alguma mensagem tem de ficar. É preciso inteligência em vez de músculos", disse um dos entrevistados.

Defensor voluntário de black blocs, o advogado Eduardo Levy Picchetto conta que já defendeu cerca de 15 ativistas. Começou em 7 de setembro. Atuou para seis acusados de tentativa de homicídio contra um policial, que quase foi linchado ao cair da moto. O PM acabou disparando um tiro para o chão, que ricocheteou e atingiu um manifestante no queixo.

"Não havia provas para sustentar a acusação e eles acabaram sendo colocados em liberdade", diz. A dificuldade em sustentar as acusações com provas é o que tem garantido a impunidade de alguns acusados. / B.P.M.

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