No fórum, manifestantes pedem justiça

Amarrado a uma cruz com as fotos de Eloá, Nayara e muita tinta vermelha simulando sangue, o comerciante André Luiz dos Santos, de 50 anos, era quem mais se destacava entre a centena de curiosos que cercou o Fórum de Santo André durante o dia de ontem. Ele viajou da cidade mineira de Ponte Nova para o município do ABC paulista só para acompanhar o julgamento.

O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2012 | 03h07

Identificando-se como um "ativista pela paz", Santos contou que pretende passar os próximos dias "crucificado" para mandar sua mensagem. "Sempre viajo a eventos para pedir Justiça", diz o manifestante.

Entre os julgamentos de casos famosos a que compareceu, está a morte da menina Isabella Nardoni. Só para estar presente ao julgamento do caso Eloá ele calcula que gastará R$ 1,4 mil, contando hospedagem, passagens e o gasto com os pôsteres da cruz que pretende continuar carregando pelos próximos dias.

Em uma bicicleta estilizada, com uma câmera de papelão, Eduardo Braghirolli, de 49 anos, era outro que estava ali para cobrar justiça. Ele diz que conhecia Lindemberg dos jogos de várzea em Santo André, mas queria vê-lo condenado. "Sou torcedor-símbolo do Santo André e costumo ir a eventos mais positivos, mas, neste caso, era necessário vir para cobrar justiça."

Estudante de Direito, Thiago Badan, de 32 anos, passou a madrugada para aprender na prática durante o caso. Foi o primeiro da fila para assistir ao julgamento. "As aulas são muito teóricas." De manhã, ele admitia ter chegado cedo demais, já que os outros começaram a chegar à fila depois das 4 horas. "Os outros eventos de repercussão costumam ter uma fila formada mais cedo", disse o estudante da Universidade Bandeirante (Uniban).

Pouco atrás de Badan estava o comerciante Masataka Ota, de 55 anos, pai do menino Ives Ota, morto aos 8 anos durante um sequestro em 1997.

"Os três homens que foram presos ficaram apenas seis anos na prisão", conta Ota, que desde então se dedica a pedir uma Justiça mais rigorosa. "Criamos uma entidade de vítimas para cobrar mudança na lei."

Além de Ota, várias pessoas vestiam camiseta de vítimas mortas em outros crimes. Ao ver a equipe de defesa de Lindemberg passar, a multidão disparou a repetir a palavra mais falada do dia: "Justiça, justiça..." / A.R.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.