No fim das trilhas de São Sebastião, paraíso à beira-mar

Praias isoladas, onde só se chega andando, oferecem lazer e, sobretudo, tranquilidade ao veranista

Vitor Hugo Brandalise, enviado especial de O Estado de S.Paulo

05 Janeiro 2010 | 16h04

 Selo-Verao
SÃO SEBASTIÃO -

Qualquer um pode entrar, mas, do portão, carro não passa. Chegar à Praia de Calhetas, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, é possível apenas a pé - em trajeto que começa na entrada de um condomínio residencial na costa sul da cidade e termina em praia de areias brancas, água límpida e um impressionante contraste entre montanhas e mar. Trata-se de apenas uma, das cerca de 40 praias do litoral norte cujo acesso é impossível de carro.

 

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Essas praias são opções tentadoras na faixa do litoral em que, nos períodos de alta temporada, percorrer 20 quilômetros de estradas pode levar até duas horas, em caminhos dificultados pelos congestionamentos ao longo da orla. A pé, tranquilidade é palavra de ordem.

 

Ao longo do caminho até Calhetas - cujo acesso se dá pelo km 144 da Rodovia Rio-Santos -, a sombra é abundante, proporcionada por árvores de até 15 metros de altura. O ar, em toda a suave ladeira repleta de curvas, é perfumado, impregnado de essências das folhas de jaqueiras, goiabeiras, quaresmeiras e jacarandás, entre exemplares nativos da mata atlântica. Há também uma cachoeira e, nos 200 metros de descida até a areia, o rumor é o da água que passa entre as pedras. Cilindros de carros de boi e antigas rodas d"água dão aspecto idílico à estrada de pedras que leva até a praia.

 

Apenas uma média de 30 pessoas por dia visitam o local, mesmo em alta temporada, segundo a direção do condomínio - de apenas quatro casas - cuja entrada dá acesso a Calhetas. Isso garante ao ponto atmosfera de paraíso ainda inexplorado, frequentado majoritariamente por nativos de São Sebastião. "Vem quase ninguém aqui, não. Tem dia de muito sol que aparecem turistas, mas pode colocar aí que é pouca gente", contou o pescador José Silvino Silva, de 31 anos, morador do bairro de Toque Toque Grande, vizinho a Calhetas, uma das oito pessoas que estavam na praia na tarde de domingo, 3.

 

 

Como é dividida por uma pequena península, Calhetas apresenta duas características distintas: seu lado esquerdo, mais pedregoso, é procurado por pescadores, que encontram bons pontos de pesca nas pedras ao longo da costa. O outro, à direita, com faixa de areia deserta, águas limpas e vista para a ilha de Toque Toque Grande, é ideal para um bom banho de mar - embora o turista, mesmo de dentro da água, certamente sinta dificuldades em tirar os olhos da terra, de tão bonito que é o contraste entre o oceano e a Serra do Mar.

 

Entre as 30 praias de São Sebastião, três não podem ser alcançadas de carro. Uma delas, a Prainha, na região central da costa, fica próxima de outro ponto turístico acessível apenas a pé próximo à orla, a Toca do Buraco do Bicho. A misteriosa fenda nas montanhas é procurada por banhistas para tirar o sal do corpo, no pequeno filete d"água que despenca 20 metros montanha abaixo. Nem que seja para matar a curiosidade, vale a pena visitar o local, que passa quase despercebido no km 136 da Rio-Santos, e é marcado por lendas antigas - diz-se que um homem-serpente, destruído pelo beato José de Anchieta, tinha sua toca ali.

 

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