No Estado, faltam 'tradutores' em escolas regulares

Há apenas 715 profissionais na rede para atender os cerca de 2,5 mil alunos com deficiência auditiva

Davi Lira, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2013 | 02h03

Na rede estadual paulista, o principal problema é o déficit de tradutores - profissionais responsáveis por auxiliar os estudantes com deficiência auditiva nas escolas regulares. Diferentemente da rede municipal de São Paulo, no Estado não há unidades especiais para surdos.

De acordo com dados fornecidos pela própria Secretaria de Educação de São Paulo ao Grupo de Atuação Especial de Educação do Ministério Público Estadual (MPE), em novembro havia cerca de 715 tradutores na rede - número que supre apenas 28,4% da demanda. Para atender os cerca de 2,5 mil alunos com deficiência auditiva no Estado, seria preciso contratar mais cerca de 1,8 mil profissionais.

A falta de profissionais que possam fazer a interlocução dos alunos e a política da rede estadual voltada para a educação de alunos surdos são criticadas pela pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) Cristina Lacerda, especialista no tema. "Mesmo sendo o único compromisso proposto pela rede, a Secretaria de Estado de Educação ainda não preenche essas vagas. Ainda há o problema de esses profissionais não terem a formação adequada", alerta.

A pesquisadora lembra que qualquer pessoa com ensino superior e 120 horas de curso de Libras pode se habilitar ao cargo. "Mesmo com a formação fornecida pelo Estado, muitos desses interlocutores não dominam os conteúdos trabalhados em sala", afirma Cristina.

O regime de contratação dos profissionais também é alvo de crítica por parte do Ministério Público. "Eles são contratados como temporários para dois anos de atuação. Isso acaba quebrando a relação criada com o aluno", diz o promotor João Paulo Faustinoni.

Procurada, a secretaria confirmou que faltam tradutores e informou que dispõe de 223 salas equipadas com recursos pedagógicos específicos e profissionais especializados para atender alunos surdos. A pasta afirma ainda que em dois anos triplicou o número de professores interlocutores e deu início, neste mês, a um novo curso de Laboratório de Libras para aperfeiçoar o ensino.

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