No esquenta, ensaios das escolas viram baladas

Além de aprimorar quesitos técnicos, escolas aproveitam festas nas quadras para reforçar os caixas

Mônica Cardoso, de O Estado de S. Paulo,

04 Fevereiro 2009 | 10h05

A menos de 20 dias para o desfile das escolas de samba no Anhembi, os ensaios seguem a todo vapor nas quadras de São Paulo. Não são apenas os componentes que comparecem aos ensaios. Curiosos invadem as quadras em busca de samba e diversão. Escolas com quadras gigantescas, como a Vila Maria, Gaviões da Fiel e Rosas de Ouro, chegam a atrair 5 mil pessoas. Outras ensaiam nas ruas, como a Vai-Vai e a Nenê de Vila Matilde, e atraem multidão semelhante.      Veja também:  Cobertura completa do carnaval 2009  Blog: dicas para quem quer curtir e para quem quer fugir da folia  Especial: mapa das escolas no Rio e em SP    Ensaio lotado na quadra da escola de samba Rosas de Ouro, durante a semana. Foto: Tiago Queiroz/AE   Os carnavalescos concordam que o ensaio é crucial para o aprimoramento dos quesitos técnicos: chegar no desfile com a letra na ponta da língua e dar os últimos acertos na coreografia das alas. Além disso, transformar a quadra em uma grande festa pode ser mais uma fonte de receita para a escola.   O valor da entrada varia de R$ 5 a R$ 20. Em algumas escolas, a carteirinha de sócio dá direito a assistir aos ensaios de graça. Duas marcas de cerveja instalaram camarotes na maioria das quadras, com sofás e aparelhos de ar condicionado. Nesse caso, o preço varia de R$ 30, com consumação incluída, até R$ 360 para um grupo de dez pessoas, sem nada incluído.   "É uma forma de ensaiar o que faremos no Sambódromo. De maio a novembro, a presença é maior de pessoas da comunidade, mas, a partir de dezembro, com a proximidade dos desfiles, os ensaios ficam mais concorridos e se tornam uma grande balada, atraindo muitos universitários. Aproveitamos para vender fantasias para o folião de última hora", diz o presidente da Tom Maior, Marko Aurélio da Silva.   Muitas vezes, o tema escolhido para samba-enredo ajuda a conquistar patrocinadores. "Como o apoio da Prefeitura e das empresas não é o suficiente, a bilheteria representa até 30% da receita da escola", diz Eduardo Ferreira, responsável pela harmonia da Gaviões da Fiel. Ele conta que em janeiro é possível perceber aumento de 80% do público. A Prefeitura repassa R$ 483 mil para cada escola do grupo especial.   O samba e a bateria são os maiores atrativos, mas outra tática é a presença de celebridades que vão desfilar pela escola. Na Rosas de Ouro, a madrinha de bateria Ellen Roche e o astronauta Marcos Pontes são garantia de público. Na Unidos do Peruche, a estratégia é outra: cada ingresso dá direito a concorrer ao sorteio de brindes, que pode ser uma camiseta oficial da escola ou o CD com os sambas-enredo.

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