No enterro de Margarida, revolta e dor

Durante o enterro de Margarida Vieira de Carvalho, moradora do 20.º andar do Edifício Liberdade, que desabou na noite de quarta-feira, amigos ainda atordoados com a morte repentina da doméstica de 65 anos cobraram explicações das autoridades. Também lembraram os planos de Margarida de voltar com o marido, Cornélio Ribeiro Lopes, de 73 anos, para Hidrolândia, no Ceará, em fevereiro.

LUCIANA NUNES LEAL / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2012 | 03h07

Cornélio era porteiro do prédio havia 20 anos. O corpo de Margarida foi sepultado na manhã de ontem no Cemitério de São Francisco de Paula, no Catumbi (zona norte), e o de Cornélio foi enterrado na sexta-feira, no Cemitério São João Batista, em Botafogo (zona sul).

Uma comissão do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) investiga se obras realizadas no 3.º e no 9.º andar estão entre as causas do desabamento. "As obras são feitas sem controle. Quem é responsável? Tem de ser cobrado. Quem são os órgãos encarregados de fiscalização? Não existem. Não pode fazer uma vistoria a cada 20 anos", afirmou o advogado aposentado Oscar de Oliveira Neto, ex-patrão de Margarida.

Integrante da pastoral Ministério da Consolação da Esperança, da Arquidiocese do Rio, a voluntária Vanda Moreira procurou consolar parentes e amigos de Margarida e fez orações "para que os governantes tenham consciência do que é cuidar de uma cidade".

A servente Maria do Socorro Vieira das Chagas, moradora da Rocinha, prima de Margarida, disse que a doméstica e o marido já tinham tudo pronto para voltar ao Ceará, no mês que vem. "Margarida me disse que em fevereiro eles iam voltar para Hidrolândia, queriam viver com mais tranquilidade." Cornélio e Margarida eram casados havia 10 anos.

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