No Dia Sem Carro, 17 cavalos na Paulista

Cavaleiros fizeram trajeto de 28 km entre ABC paulista e centro de SP em 4h30; grupo diz ter sido bem recebido por motoristas e pedestres

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2012 | 03h06

Nos últimos dias, durante a Semana da Mobilidade, diversas opções de transporte surgiram em contraponto ao carro: ônibus, metrô, trem, bicicleta, skate e até tuk-tuk. Uma das únicas modalidades, porém, que não havia ainda figurado na lista, chamou a atenção de quem passou ontem pela manhã na Avenida Paulista. Devidamente aparelhados, 17 cavalos fizeram o trajeto de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, à via mais famosa de São Paulo para celebrar o Dia Mundial Sem Carro.

"A palavra do momento é sustentabilidade e nada mais sustentável do que fazer esse trajeto a cavalo", disse um dos cavaleiros e idealizador da romaria, o comerciante Gláucio Nascimento, de 49 anos. "Chamamos a atenção de maneira positiva. Respeitamos todas as leis de trânsito e as pessoas nos tratam com o maior respeito."

Nascimento e um grupo de amigos fazem o trajeto a cavalo desde 2004. Ele conta que tudo começou quando se viu preso no trânsito da Avenida Paulista, sofrendo com o calor. No dia seguinte, ele soube pelos jornais que seria comemorado o Dia Mundial Sem Carro. "Pensei: acho que venho para a Paulista a cavalo. Chamei alguns amigos e todos toparam na hora. Depois desse ano, começamos a fazer dessa ideia uma tradição."

Os 28 quilômetros do trajeto foram percorridos em cerca de 4h30. Às 7h30, o grupo saiu do bairro Cooperativa, em São Bernardo do Campo, e por volta do meio-dia chegou ao vão livre do Masp, onde foi recebido por um padre da Paróquia São Luís Gonzaga, que os abençoou.

Entre os 17 cavaleiros que participaram da romaria, havia duas veterinárias, que completaram o percurso para assegurar o bem-estar dos animais, e uma criança de 4 anos, acomodada em uma charrete. "Fizemos duas paradas para que eles (os cavalos) e nós pudéssemos descansar. Mesmo com o calor, chegamos todos bem e realizados", disse.

Segundo Nascimento, a reação de pedestres e motoristas foi a melhor possível. "As pessoas bateram palmas em todo o trajeto. Durante as paradas, teve gente que até perguntou como poderia participar no ano que vem." Ontem, pela primeira vez, o grupo dividiu espaço também com bicicletas que ocupavam a Ciclofaixa de Lazer da Paulista.

Trânsito. Não é comum, mas quando o trânsito trava, até os cavalos são mais rápidos. Nascimento conta que isso já aconteceu em diversas oportunidades. Em outra ocasião, ciclistas se juntaram ao grupo já na reta final. Ontem, com a ciclofaixa e os cavalos, foram os carros que perderam espaço. / COLABOROU ADRIANA FERRAZ

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