No dia seguinte, escola, clube e lojas continuam fechados

Paulistanos ainda sentiam ontem os transtornos do temporal; Porto Seguro só retomará aulas na terça e São Paulo reabrirá em dez dias

O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2013 | 02h05

O temporal de quinta-feira continuou causando transtornos ontem aos paulistanos. Colégios ficaram sem aula, a sede social do São Paulo Futebol Clube fechou e a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP) ficou submersa.

Ontem, a cidade registrou mais 16 pontos de alagamento e o transporte público voltou a ter problemas: parte da Estação Tucuruvi, da Linha 1-Azul do Metrô, encheu de água. O Metrô disse que "a área afetada foi isolada pelos funcionários da estação para manutenção" e, às 19h55, o local estava seco. "A ocorrência não interferiu no embarque e desembarque dos passageiros nem na circulação dos trens", disse a empresa.

No Colégio Visconde de Porto Seguro, no Morumbi, zona sul de São Paulo, a água invadiu as salas e as aulas tiveram de ser suspensas para limpeza e manutenção. Os cerca de 4 mil alunos só poderão voltar na terça-feira.

A engenheira Claudia Bonan, de 43 anos, disse que os dois filhos que estudam no colégio, de 13 e 9 anos, ficaram surpresos com a inundação. "Houve evacuação, mas todos saíram tranquilos mesmo em meio ao caos." Ela critica a ausência de obras antienchente no bairro. "As instituições privadas têm todo o investimento necessário, mas falta a infraestrutura pública."

No Colégio Santa Cruz, Alto de Pinheiros, zona oeste, que anteontem ficou ilhado, as aulas terminaram mais cedo ontem, assim que as nuvens escuras surgiram. A escola não se pronunciou. Na USP, a inundação destruiu o auditório de música da ECA. "Ainda vamos avaliar o comprometimento dos móveis. Mas nada que afete a volta dos alunos", disse Mauro Wilton, diretor da ECA. As aulas na USP serão retomadas dia 25.

Muro. A sede social do São Paulo, no Morumbi, vai ficar fechada por dez dias. Segundo o vice-presidente social, Roberto Natel, a água ultrapassou o muro de dois metros que já havia sido reforçado para servir de barreira contra a chuva. As perdas foram grandes: todos os equipamentos de uma sala de fisioterapia recém-inaugurada, além de uma cozinha que acabara de passar por reforma de R$ 300 mil.

"Parecia um tsunami. A enxurrada derrubou o muro e toda a água da região entrou no clube", disse Natel. "A gente tinha noção de que aquela área estava sujeita a inundação e obras foram feitas. Mas, se tem enchente, o problema é dos governantes."

O vice-presidente de futebol, João Paulo de Jesus Lopes, também culpa a Prefeitura. "Eles não fazem as obras nem as desapropriações que prometem." Lopes se refere à construção de piscinões e canalização do Córrego Pirajuçara, que passa por ali.

Bairro de alagamentos recorrentes, a Pompeia, na zona oeste da capital, acumulava prejuízos. Um estacionamento na esquina da Rua Venâncio Aires com a Avenida Pompeia parou de receber mensalistas e avulsos. Só aceita lojistas de estabelecimentos próximos. "Em outras épocas, temos em média 20 mensalistas e ficamos com a chave. Mas agora não dá para retirar o carro antes de alagar", explica o funcionário Pedro Mário da Silva, de 22 anos.

Botes. Na concessionária de veículos Caltabiano, ao lado do Viaduto Pompeia, o expediente ontem foi de faxina. "Passamos parte do dia fazendo limpeza e manutenção da loja. Não conseguimos receber clientes", disse o diretor comercial, Rogério Carvalho. Sobre os antigos planos da Prefeitura de construir um piscinão na área, Carvalho é irônico. "Tem piscinão sim. Quando chove. Daqui a pouco, além de carros, vamos vender botes." / ARTUR RODRIGUES, CAIO DO VALLE, FERNANDO FARO, JULIANA DEODORO, NATALY COSTA e WILLIAM CARDOSO

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