No dia seguinte, clima no aeroporto é de 'a vida continua'

Passageiros lamentam o acidente e reclamam do tempo de espera no Aeroporto de Congonhas

Alexandra Penhalver, Alvaro Magalhães e Mel Bornstein, Estadão, JT e estadao.com.br

18 de julho de 2007 | 09h54

O clima no Aeroporto de Congonhas era de tranqüilidade entre os passageiros um dia após a tragédia do vôo 3054 da TAM. Parte dos passageiros passaram a noite no aeroporto à espera de seus vôos que foram remarcados. Sem medo de viajar, quem tentou embarcar teve um dia normal: tomou café, fez o check in e se limitou a lamentar o acidente.   Mesmo ainda com a fumaça saindo dos escombros do acidente, os passageiros que aguardavam no saguão do aeroporto pareciam não se preocupar, como o engenheiro Juliano José da Silva. "Está tudo tranqüilo, espero poder embarcar". Questionado se sentia medo após o acidente, ele respondeu: "É triste, mas a vida continua".   Muitos passageiros que tiveram seus vôos cancelados ou transferidos para esta quarta-feira, 18, dormiram no saguão de Congonhas. O casal Luiz Carlos de Lima, 31, e Maria de Lourdes Rodrigues dos Santos, de 37, tiveram a primeira viagem a dois frustrada pelo acidente. Moradores de Florianópolis, eles estavam numa conexão da Varig para Salvador, chegaram em Congonhas terça-feira às 13h50 e partiriam às 22h30, mas o vôo foi remarcado para 22h50 desta quarta. "Essa é a primeira viagem que conseguimos fazer juntos", disseram. Preocupados com o fato da passagem ser remarcada 24 horas depois e com a falta de oferta de um quarto de hotel, o casal dormiu nas cadeiras do aeroporto.   "Nunca mais volto para São Paulo. Aqui é um lugar de doido", disse a dona de casa Lúcia Maria da Silva, de 38 anos, que junto do filho André, de 11, tentava voltar para Recife onde moram após uma temporada em São Paulo na casa de parentes. O vôo da Gol previsto para às 22h20 havia sido remarcado para 7h20 desta quarta.   No início da manhã, muitas pessoas chegavam ao saguão para fazer o check in em todas as companhias mesmo sem ter certeza se o aeroporto funcionaria. Com a abertura da pista auxiliar às 6h27, as empresas começaram a chamar os passageiros para o embarque. Apesar disso, o primeiro vôo do dia, da Pantanal, que decolou às 6h50 partiu sem passageiros pois a aeronave foi trasladada para o aeroporto de Bauru.     Em Cumbica, o passageiros se sentiam mais "tranqüilos". Fortunato Nery Filho, que seguia para Natal pela TAM, não tinha preocupações. "O pessoal comenta sobre o acidente, mas ninguém está apavorado. Todos acreditam que a causa do acidente foi a pista e não o avião. Aqui (Cumbica) é mais seguro. Se a viagem fosse a passeio, seria adiado. Espero não retornar por Congonhas. O problema não é só a companhia, é geral", disse.

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