No dia do início de reforma, Cumbica opera por instrumentos

Pista principal do aeroporto permanecerá fechada até o final de novembro para conserto no asfalto

Paulo R. Zulino, do estadao.com.br, e Rodrigo Brancatelli, do Estado,

20 de agosto de 2007 | 08h07

O Aeroporto Internacional Governador André Franco Montoro, em Cumbica, Guarulhos, permanece funcionando para pousos e decolagens com o auxílio de aparelhos em razão do nevoeiro. De acordo com a assessoria de imprensa da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), a pista principal já foi interditada para o início da primeira etapa da reforma, cujo término está previsto para o próximo dia 10 de outubro, e as operações só ocorrem na via auxiliar. A segunda etapa dos trabalhos começará no dia 11 de outubro e se estenderá até o dia 30 de novembro.  Pista principal ficará interditada até outubro Avião da Gol aborta decolagem e causa pânico em GO  Apesar do bloqueio da pista principal, cujo asfalto já acumula quase 20 anos de pousos e decolagensos, vôos e a movimentação de passageiros não estão sendo seriamente afetados agora cedo, conforme a Infraero. Da zero hora, horário de abertura de Cumbica, até 8 horas, quatro vôos foram cancelados, de um total de 35 vôos programados. Seis tiveram atrasos superiores a uma hora e um foi cancelado. Outros três vôos foram alternados para o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas. Já o Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, opera sem restrições para decolagens e aterrissagens. O último balanço dá conta de que, desde 6 horas, na abertura do aeroporto, até 8 horas, dos 41 vôos previstos, seis sofreram atrasos de mais de uma hora e sete foram cancelados. No Rio a situação era a mesma. No aeroporto Santos Dumont, dos 12 vôos previstos, todos estavam no horário e não havia cancelamentos. No aeroporto internacional Tom Jobim, do total de 27 decolagens previstas, um apresentou atraso de mais de uma hora e três foram cancelados. Reforma Para a reforma, nem o Ministério da Defesa nem a Infraero e as companhias aéreas montaram algum tipo de plano de emergência para evitar que o caos volte a se instalar nesta segunda no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos. O resultado do fechamento e da falta de planejamento deverá ser sentido pelos passageiros: cerca de 39% dos vôos terão de ser reduzidos, e atrasos e cancelamentos já são esperados.  Oficialmente, a Infraero acredita que o aeroporto não será afetado pela restrição. Mas Cumbica terá de operar apenas com a sua pista secundária, com 3 quilômetros de extensão. Nos horários de pico, entre 7 e 10 horas e entre 21 e 23 horas, as operações de pouso e decolagem terão de ser reduzidas de 54 por hora para 33. Como o aeroporto já operava no limite nesses períodos por causa da transferência de vôos que partiam do Aeroporto de Congonhas, as empresas aéreas esperam atrasos generalizados de cerca de 40 minutos e cancelamentos de vôos domésticos. A TAM anunciou que irá até aumentar o número de funcionários em 10% para atender os passageiros. Desde 30 de julho, 52 vôos da TAM e da Gol foram transferidos do Aeroporto de Congonhas para Cumbica. A pista principal de Congonhas, que passa por obras, será reaberta somente em 7 de setembro. A obra em Cumbica estava marcada para começar em dezembro. Mas, sem aviso prévio, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, decidiu antecipar em cima da hora o cronograma sob a alegação de que obras no final do ano iriam atrapalhar muito mais o aeroporto. "Precisamos ter claramente o nosso pressuposto inicial: primeiro a segurança, depois o conforto", disse. Jobim também sugeriu que parte dos vôos fosse desviada para Viracopos, em Campinas, mas ninguém concordou. As companhias dizem que ficaram sabendo da notícia pelos jornais e não tiveram tempo para ajustar as malhas. TAM e Gol dizem que vão alocar seus vôos "na unha".  A pista principal de Cumbica, com 3.700 metros de comprimento, tem quase 20 anos de uso. Está com a capa de rolamento gasta, o que torna o piso vulnerável, sujeito a fissuras, buracos e ao desprendimento de pedras durante os pousos e decolagens. O grooving (ranhuras transversais que evitam o acúmulo de água) também está com sua vida útil esgotada há cerca de cinco anos, o que aumenta o risco de a água empoçar ou de escoar para debaixo do asfalto. A primeira parte da obra, que vai até 10 de outubro, irá contemplar os 1.400 metros da parte central da pista - por isso a necessidade do fechamento total. Será usado asfalto betuminoso aplicado a quente para tapar todos as fissuras, algumas com quase 8 centímetros de comprimento, como mostrou reportagem do Estado. No dia 11 de outubro, começa a segunda fase do conserto, nos 1.300 metros de cabeceira perto da Rodovia Helio Smidt, com o fim previsto para 30 de novembro. O resto da pista poderá ser utilizado normalmente, segundo a Infraero. Já a outra cabeceira só será reformada de abril a junho de 2008. O custo total estimado é de R$ 13 milhões.  Matéria ampliada às 08h53

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