No centro, faixas para bikes ficam vazias até no horário de pico

São 10 km ociosos na República, Santa Cecília e Barra Funda; medo do trânsito pesado na região espanta usuários

O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2014 | 02h01

Dois meses após a instalação das novas faixas exclusivas para bicicletas no centro de São Paulo, são ainda raros os trabalhadores e estudantes da região que adotaram o novo meio de transporte. Os dez quilômetros de ciclovias em funcionamento desde o início de agosto nas regiões da República, Santa Cecília e Barra Funda seguem vazios até no horário do rush.

Sem ninguém pedalando, o espaço das bikes é o tempo todo invadido por pedestres, skatistas, carroceiros, motos e até por motoristas de carros que tentam avançar nos congestionamentos com o pisca-alerta ligado, em uma tentativa de simular algum problema mecânico.

Por volta das 18h30, após o fechamento do comércio, as faixas para bicicletas nas regiões da Praça da República e do Viaduto do Chá ficam completamente tomadas por uma multidão que deixa as calçadas para tentar avançar em passos mais largos a caminho do metrô ou ponto de ônibus.

Para quem vem de bairros distantes para o centro de metrô ou pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a falta de lugar para estacionar as bicicletas é citada como principal empecilho. Muitas pessoas também dizem sentir medo de dividir espaço com carros e ônibus.

"Olha a largurinha da faixa, o ônibus passa quase raspando nas bicicletas. Eu que não vou me arriscar", disse Matheus Ferraz, analista de sistemas de 31 anos, ao apontar a faixa de sentido único da Rua Vieira de Carvalho, de 1,2 metro - a largura recomendada pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) é de 1,5 metro para faixas de sentido único.

"Mas onde eu vou parar a bike? Ah, eu tenho medo desse trânsito do centro", afirmou Ronaldo Chequer, de 26 anos, assistente de telemarketing que trabalha na Rua 7 de Abril. Ele é morador do Jaçanã, na zona norte, e usa metrô e uma linha de ônibus para chegar ao trabalho. "Nem sabia que as faixas funcionavam o dia todo. Não é só nos fins de semana?", questiona Marcelo Gentil, de 41 anos, dentista que trabalha no centro e mora em Santana.

Estacionamento. Pela ciclovia do Bom Retiro também é praticamente impossível achar alguém de bicicleta. As ruas escuras e cheias de montanhas de retalhos de tecidos do bairro também dificultam o trânsito dos ciclistas. Muitos carros ficam estacionados durante a madrugada nas faixas. O mesmo acontece na Barra Funda, na zona oeste da cidade.

"Hoje estamos vendo a colocação das ciclovias onde não tem demanda. As ciclovias estão vazias. O que está sendo feito é cumprir a agenda política", afirmou Sérgio Ejzenberg, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP). / D.Z.

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