No Carandiru, presidiárias hostilizam Anna Carolina Jatobá

Por razões de segurança, madrasta de Isabella pode ser transferida para a Penitenciária Feminina de Tremembé

Josmar Jozino, do Jornal da Tarde,

08 de maio de 2008 | 23h16

Tumulto e protesto marcaram a chegada de Anna Carolina Jatobá à Penitenciária Feminina Sant’Ana, no Carandiru, na manhã desta quinta-feira, 8. Assim que a madrasta de Isabella Nardoni - acusada de matar a criança junto com o marido, Alexandre -, pisou no prédio da administração da unidade, as detentas bateram nas grades e gritaram: "Assassina, assassina".   VEJA TAMBÉM Imagens da prisão de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá  Leia a conclusão da Justiça sobre o inquérito policial 'Nada muda' na defesa do casal Nardoni, dizem advogados Fotos do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso  Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella     As presas não querem Anna Carolina nem no seguro (isolamento), onde ficam as detentas juradas de morte. Por isso, a unidade reservou para ela uma sala no prédio da administração, perto do gabinete do diretor-geral, Maurício Guarnieri. A sala fica longe dos pavilhões e do convívio normal das presas. Segundo elas, nessa sala já ficaram Kelly Samara, a "bonequinha de luxo", acusada de aplicar golpes nos Jardins, e também a mulher do megatraficante Juan Carlos Abadía. "A Kelly ficou lá alguns dias, porque pegou uns maços de cigarros de umas meninas e não pagou a dívida", contou uma presidiária.   No local há banheiro com bacia de louça (não de cimento) e chuveiro com água quente. Anna Carolina ganhou calça bege e camiseta branca. "O uniforme de presidiária que ela recebeu é usado. Porque a casa não dá nada novo para ninguém", revelou outra detenta. No chão da quadra de futebol do Pavilhão 2, elas escreveram, apagaram e reescreveram frases como: "Isabella, presente do dia das mães".   Outra presidiária afirmou que, por causa da chegada de Anna Carolina, a entrega de pacotes com alimentos e outros objetos para as detentas atrasou pelo menos três horas. "Essa garota já chegou aqui causando problemas. Se a cadeia virar (se rebelar), a gente vai catar ela. É melhor ela ir de bonde (ser transferida)", advertiu a presidiária.   À tarde, havia rumores de que Anna Carolina, por razões de segurança, seria transferida para a Penitenciária Feminina de Tremembé, no Vale do Paraíba, onde também cumpre pena Suzane von Richthofen, condenada pela morte dos pais. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) não confirmava a remoção.   No 13º DP ( Casa Verde), Nardoni passou ao dia em uma cela de 3 metros quadrados com apenas um colchonete e isolado dos outros detentos - 33 nas outras cinco celas. Segundo funcionários do DP, não houve hostilidade por parte dos outros presos. Embora estivesse abatido, Nardoni chegou a conversar com alguns deles.   Segundo funcionários, investigadores conversaram com os outros presos para avaliar a receptividade que Nardoni terá caso seja transferido para uma cela coletiva.   (Colaborou Vitor Hugo Brandalise, de O Estado de S. Paulo.)

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