No aeroporto e na rodoviária, passageiro se desespera em busca de uma televisão

Quem saiu, na tarde desta terça-feira, da área de desembarque internacional de Cumbica não encontrou nenhuma TV

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2014 | 12h15

SÃO PAULO - Mais desesperador que o futebol do Brasil era a aflição das pessoas que saíam na tarde desta terça-feira, 17, da área de desembarque internacional de Cumbica e não encontravam nenhuma TV. Um único espaço para o torcedor, no segundo andar, lotou uma hora antes da partida somente com funcionários do aeroporto. Os monitores e telões seguiam exibindo informações sobre a cidade, a meteorologia e sobre a Copa do Mundo.

"Já perguntei para vários funcionários e nada. Estou desesperado, não é possível que não tenha uma televisão por aqui", dizia o funcionário público Anderson Cardoso, de 23 anos, que embarcaria para Nova York logo após a partida. Além do espaço do torcedor montado pela Infraero com cerca de 150 lugares, havia TVs em algumas poucas lanchonetes, como no Viena - havia uma mutidão do lado de fora do restaurante, para tentar ver alguns lances em um monitor exclusivo para os clientes.

Homens e mulheres da limpeza e dezenas de PMs que reforçavam a segurança em Guarulhos ficaram indignados em não poder assistir pelo menos a alguns lances da partida. Para eles, pelo menos os monitores que exibem propagandas e informações institucionais deveriam exibir a transmissão dos jogos da seleção. O aeroporto informou que o local adequado para ver os jogos é o espaço do torcedor.

Turistas uruguaios e ingleses que não paravam de chegar no aeroporto também estavam frustados em ao menos não poder assistir a alguns lances da partida. Os poucos táxis com TV eram os mais disputados entre os passageiros. "Acho que deveriam pelo menos instalar uns televidores pequenos aqui no embarque", reclamava o inglês Wellington Griffiths, de 62 anos, que chegou ao Brasil sozinho para assistir sua terceira Copa. "Vim só para me divertir mesmo e curtir esse país maravilhoso. Minha seleção está muito fraca, talvez nem classifique da primeira fase."

Festa. Na Rodoviária, os monitores e telões das áreas de espera também mantiveram a exibição de propagandas e de informações institucionais da Prefeitura. Brasileiros e mexicanos se espremiam dentro de uma doceria, onde havia um televisor de 50 polegadas, para tentar assistir a partida.

A festa de um grupo mexicano que seguia para Fox do Iguaçú, com chapéus e cornetas, se estendeu durante todo o jogo, e chegou a irritar alguns brasileiros. "Me xingaram bastante desde a saída do hotel. Antes os brasileiros estavam bem amigos, mas parece que hoje não somos tão benvidos assim", lamentou o estudante Arturo Rodan, de 21 anos, vestido à caráter - com chapéu, camisa verde e cara pintada nas cores da bandeira mexicana.

Exaltado com o empate após o final da partida, com berros de "bravo cabrones, bravo cabrones!", o mexicano Alberto Miranda, de 62 anos, por pouco não foi agredido - alguns torcedores lançaram cerveja e água no torcedor que seguia para o Rio de Janeiro. "Viva o Brasil também!", tentou amenizar o mexicano após ser hostilizado.

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