Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

No 3º dia sem luz, moradores 'sequestram' equipe da Eletropaulo

Camionete da empresa ficou presa em rua sem saída bloqueada e só foi liberada após chegada de caminhão da concessionária

Luiz Fernando Toledo e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

15 Janeiro 2015 | 13h46

Atualizada às 23h39

SÃO PAULO - Uma equipe da AES Eletropaulo foi feita “refém” nesta quinta-feira, 16, por moradores que passavam pelo 4.º dia consecutivo de falta de energia na Rua Daniela Crespi, no Butantã, zona oeste de São Paulo. Em vez de impor o pagamento de “fiança” para libertar os técnicos, a população exigiu o restabelecimento do serviço, o que foi feito 40 minutos depois do “sequestro”. Segundo a concessionária, até as 22 horas desta quinta, 170 mil imóveis estavam sem luz na cidade.

Durante a visita do Estado à região, a caminhonete da AES Eletropaulo que atuava nas imediações foi chamada pelos moradores. Ao chegar à via, que é sem saída, a equipe da concessionária foi encurralada. Os moradores usaram os próprios carros para fechar a via e impedir a saída do local. 

O “sequestro” aconteceu após um funcionário dizer que não teria como resolver o problema naquele momento porque estava atendendo outra ocorrência no bairro. A caminhonete só foi liberada após a chegada de um caminhão da empresa, que fez os reparos. 

“Se a gente não tivesse feito isso, eles não teriam resolvido o problema. Eu me sinto uma palhaça, imbecil, que faz milhares de protocolos (de atendimento), achando que vão fazer alguma coisa”, disse a aposentada Madalena Ybañez, de 63 anos. 

Desde a tarde de segunda, os moradores passaram a enfrentar uma rotina de geladeiras com comida estragada, velas em todos os cômodos e gelo para conservar produtos. Apesar de reclamações diárias à AES Eletropaulo, a vizinhança alega não ter recebido atendimento. 

O estudante de Engenharia Danilo Duarte Costa, de 26 anos, disse que ele e os vizinhos fizeram “inúmeras” ligações à AES Eletropaulo, mas não houve resposta. “É a primeira vez que fica tanto tempo sem luz.” 

 

 

A mãe de Danilo, Elenita Costa, disse que precisou deixar todos os alimentos na geladeira de uma amiga. Os moradores compraram sacos de gelo para não perder os alimentos. “Perdi carne e o freezer estava lotado”, reclamou a professora aposentada Maria Teresa Carloni. “Fui ver a novela na casa da empregada. O celular, eu recarreguei no cabeleireiro.” 

“Só estamos comendo pão o dia todo”, reclamou o operador de VT Rodney Felix, ao lado da mãe de 71 anos. “Eu ligo lá e dizem que já tem alguém resolvendo o problema. Mas nós não somos bobos”, afirmou.

Procurada, a AES Eletropaulo confirmou, em nota, “a presença da equipe técnica na Rua Daniela Crespi”, mas não respondeu sobre atendimento ou demora.

Mais tarde, às 19 horas, cerca de 40 moradores da Vila Sônia, também na zona oeste, fizeram um protesto contra a falta de energia. Segundo a PM, o ato chegou a bloquear duas faixas da Avenida Pirajuçara. Na quarta-feira, a capital já havia registrado três protestos simultâneos de moradores das zonas sul e oeste pela falta de luz.

Despreparo. Nesta quinta-feira, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) voltou a criticar a concessionária. “Acho que está claro o despreparo. Claro que a gente tem visto ventos muito fortes, árvores que caíram, mas isso todo verão acontece.” Ele também disse que nos últimos quatro anos o governo aplicou R$ 79 milhões em multas à AES Eletropaulo. A empresa afirmou que não se manifestará sobre a afirmação de Alckmin.

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