Thiago Teixiera/AE
Thiago Teixiera/AE

No 2º dia, veículos oficiais continuam parando sobre faixa

Reportagem novamente flagrou carros do TJ-SP cometendo infração no centro; fiscalização vai ter reforço de 36 agentes

Cida Alves, Renato Machado e William Cardoson, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2011 | 00h00

No segundo dia de fiscalização dos motoristas que desrespeitam a faixa de pedestres na região central de São Paulo, as infrações voltaram a se repetir e a reportagem do Estado flagrou novamente carros oficiais ignorando a lei. Além disso, em pontos de fluxo intenso de pedestres no centro a atuação dos marronzinhos era mais de tolerância do que de punição. Até as 20 horas de ontem, 27 atropelamentos haviam sido registrados na cidade. A média é de 19 casos.

Também ontem, a Prefeitura anunciou que a fiscalização será reforçada por 36 policiais do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran). Com isso, o número de agentes fiscalizando exclusivamente o respeito à faixa passa para 190.

Pelo que se pode ver nas ruas, o reforço é bem-vindo. Um dia depois de flagrar cinco carros do Tribunal de Justiça avançando a faixa de pedestres no cruzamento entre as Ruas Conde do Pinhal e Glória, a reportagem voltou ao local e não encontrou fiscalização da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Mais dois veículos oficiais (placas TJ 107 e TJ 253) foram flagrados desrespeitando a lei.

A reportagem também acompanhou a atuação de marronzinhos em outros pontos e ouviu de alguns agentes que esse é "um período de adaptação" e que é preciso ser "tolerante". Os argumentos contrastam com a versão oficial da CET de que o objetivo agora é fiscalizar e multar.

"Marronzinho sempre foi criticado quando multava demais, porque todo mundo falava que era indústria da multa. Então leva um tempo para eles assimilarem que agora é para valer, que precisam mesmo multar todo mundo", disse um agente, integrante do sindicato da categoria.

Esse comportamento faz com que novamente motoristas escapem de multas. No cruzamento da Rua Senador Feijó com a Quintino Bocaiuva, por exemplo, em um intervalo de 15 minutos houve pelo menos 29 infrações contra pedestres, e o agente sacou o talão de multas apenas uma vez. A reportagem presenciou cenas parecidas em outros três cruzamentos ontem.

A CET afirma que a orientação é para multar todos os infratores. "Se houver necessidade, vamos repassar alguns procedimentos, porque o período de orientação terminou", disse o diretor de Operações da companhia, Eduardo Macabelli. Ele ressalta, no entanto, que os agentes têm o cuidado de preencher corretamente os autos de infração, para evitar que as multas sejam contestadas posteriormente.

O TJ diz que os flagrantes de ontem foram encaminhados para o setor responsável e também serão apurados. Concluídos os procedimentos, o resultado é remetido à comissão responsável por atribuir as punições, que vão da advertência à exoneração do funcionário que conduz o veículo.

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Marcos Palumbo, tenente do Corpo de Bombeiros

1.Qual o perfil dos atropelados?

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, são os mais jovens, na faixa dos 20, 21 anos, as principais vítimas de atropelamentos, e não as pessoas mais idosas. O jovem normalmente se coloca em uma situação de perigo, põe a vida em risco, exigindo que o motorista pare, o que nem sempre acontece.

2.Qual o principal motivo para que aconteçam os atropelamentos?

A desatenção, seja do pedestre ou do motorista. No meu último plantão, tivemos o caso de um pedestre que estava com fone de ouvido, mandando torpedo e, ao tentar atravessar a rua, não percebeu a aproximação do carro e acabou atropelado.

3.Por que os atropelamentos deixam sequelas tão graves nas vítimas?

Porque é algo muito desproporcional. A pessoa só tem o corpo para se proteger, enquanto o veículo tende a se deformar muito pouco. Como consequências principais, temos fraturas de bacia, de fêmur, de membros inferiores em geral e da cabeça. O tratamento para esses casos nunca é inferior a um mês. Se a vítima não morrer, poderá ter grandes problemas para o resto da vida, como incapacidade física. Às vezes, mesmo com o veículo trafegando com velocidade muito baixa, o impacto pode ser fatal.

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