MARCIO FERNANDES/ESTADAO
MARCIO FERNANDES/ESTADAO

No 1º dia, tarifa única não leva à troca de táxi em São Paulo

Prefeitura unificou tarifa dos serviços de táxi, mas ainda havia desinformação no Aeroporto de Congonhas na tarde desta quarta

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2016 | 03h00

SÃO PAULO - No primeiro dia da vigência da tarifa unificada, nesta quarta-feira, 24, havia pouca informação no Aeroporto de Congonhas, o principal ponto de táxis especiais de São Paulo. Apesar de painéis espalhados pelo terminal avisando da mudança, às 15h05 a fila para o táxi comum tinha 53 pessoas – enquanto na do especial (“vermelho e branco”), era só apontar e embarcar.

“É mesmo? O preço é o mesmo?”, diziam os que estavam na fila do táxi comum, quando alertados pela reportagem. Mesmo com a informação, nenhum resolveu mudar de última hora – todos permaneceram reticentes aguardando a sua vez no carro convencional. “Eu não estou sabendo de nada. Então prefiro ir no que eu sei que é garantido”, disse o empresário Fernando Pontes, de 64 anos, que tinha acabado de chegar do Rio.

A poucos metros dali, o fiscal dos táxis “vermelho e branco” Sérgio Ricardo dizia que não houve aumento no movimento logo no primeiro dia, não. “É que o pessoal já está acostumado. Mas estamos avisando a quem chega: o preço é o mesmo, com o serviço melhor”, alardeava. “Serviço melhor” é um tanto relativo, vale ressaltar. Quando a categoria surgiu, em 1975, somente os carros especiais tinham quatro portas e eram sedans espaçosos. Logo depois, ar condicionado também passou a ser exclusividade dos “vermelho e branco”. Hoje em dia, tais comodidades são encontradas em qualquer veículo da praça.

“Mas o nosso serviço é diferenciado”, ressaltou Sidnei Marinho Falcão, coordenador do ponto do Aeroporto de Congonhas – onde costumam ficar mais de 400 dos 625 carros da cooperativa. “O atendimento é de primeira, os carros são muito mais higienizados e, como todos são rastreados, o cliente tem a garantia da segurança.”

A dona de casa Maria López dos Santos, de 59 anos, concorda. “Não sabia que tinha mudado. Vai ser mais barato então?”, disse à reportagem, frisando que o preço não fazia diferença: ela é cliente dos carros especiais há 30 anos, não troca por nada.

Os taxistas da frota “vermelho e branco” estão esperançosos. “A situação está muito ruim”, lamentou Magno da Rocha Damasceno, de 34 anos. “Quando comecei, há dois anos, fazia 12, 13 até 14 corridas por dia. Hoje, quando muito, consigo oito.” No primeiro dia, ele não notou diferença. “Acho que vai uma duas semanas para ‘pegar’.”

Os avisos no terminal são tímidos. “Rádio táxi vermelho e branco. Qualidade, conforto e segurança para você. Agora operando com a tarifa unificada de São Paulo”, diz o texto dos painéis, sem deixar claro que o preço abaixou ou o preço é o mesmo do comum. “Achamos que, por uma questão de ética, não valia a pena sermos muito ostensivos”, disse o coordenador Falcão.

De acordo com suas estimativas, entretanto, o cenário vai melhorar. “Vamos ter um acréscimo de 20% a 30% no volume de passageiros”, comentou. “E os taxistas comuns vão acabar melhorando o nível de atendimento, por causa da concorrência.”

Ele frisou que todos os taxistas da cooperativa foram avisados da vigência dos novos valores a partir desta quarta. E já estão com a tabela atualizada de preços afixadas no interior do veículo.

 
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